Com mais de 2,5 mil pacientes na fila, exame de endoscopia em Dourados pode demorar 5 anos
Procurada para esclarecimentos, Prefeitura disse que vai se manifestar somente ao MPMS
Pacientes da rede pública de saúde em Dourados estão aguardando até cinco anos para realizar um exame de endoscopia digestiva, segundo dados que levaram o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) a intaurar uma investigação contra a Prefeitura Municipal.
Foi assinada no último dia 17 de setembro a medida que converteu em Inquérito Civil, o procedimento que apura as medidas adotadas pela gestão municipal para desafogar a demanda represada.
A decisão foi tomada após diligências iniciais que revelaram a gravidade da situação.
De acordo com o documento, em julho de 2025, a fila de espera para o procedimento contava com 2.533 pacientes.
A perspectiva de agendamento dos pacientes classificados como “prioridade 2” podem esperar mais de dois anos, enquanto aqueles em “prioridade 3” enfrentam uma espera de até cinco anos.
O prazo é considerado “excessivo” pelo próprio Conselho Nacional de Saúde, que, através do Enunciado n.º 93, estabelece um limite de 180 dias para a realização de cirurgias e tratamentos eletivos no Sistema Único de Saúde (SUS).
Contratos insuficientes
A investigação do MPMS aponta que a raiz do problema parece estar na insuficiência da oferta.
O município possui contratos com o Hospital Universitário da UFGD e com o Hospital da CASSEMS, que, juntos, preveem a realização de 235 endoscopias por mês.
O número, no entanto, seria ineficaz para dar vazão à demanda acumulada de mais de 2.500 pessoas.
A promotoria também questiona uma aparente inconsistência nos dados fornecidos anteriormente pela gestão municipal, que teria informado a realização de 2.820 procedimentos anuais, número que, conforme o documento, não condiz com a longa fila de espera.
Cobrança por respostas
Com a instauração do Inquérito Civil, o promotor de justiça Amílcar Araújo Carneiro Júnior determinou que a Secretaria Municipal de Saúde preste esclarecimentos detalhados no prazo de 15 dias úteis.
Entre as exigências estão:
- A lista atualizada de pacientes na fila, com data de inserção e nível de risco;
- O número de exames efetivamente realizados pelos hospitais conveniados em 2025;
- As providências tomadas caso os hospitais não estejam cumprindo as metas contratuais;
- A comprovação de ações efetivas para diminuir a fila de espera.
Outro lado
A reportagem buscou a Prefeitura de Dourados para entender quais esforços estariam sendo empenhados na resolução da fila para os exames de endoscopia digestiva.
A assessoria de comunicação afirmou que a administração “vai se manifestar exclusivamente nos autos do inquérito do Ministério Público Estadual”.
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