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Como o Brasil pode dar um salto de qualidade na educação e preparar melhor os jovens para o mercado?

Como o Brasil pode dar um salto de qualidade na educação e preparar melhor os jovens para o mercado?

Estadão promove o ‘Brasil Adiante”, ciclo de debates para apresentar propostas ao País

Até agosto, especialistas debaterão medidas concretas contra os principais gargalos brasileiros. Crédito: Juliano Galisi

Um mercado de trabalho em constante transformação e com novas exigências a cada dia impõe ao Brasil o desafio de avançar em questões básicas de Educação para preparar melhor os jovens. Por isso, especialistas apontam que não bastam investimentos, mas ampliar políticas cujas evidências já revelaram melhora da aprendizagem dos alunos.

Esses são alguns dos pontos que serão discutidos na quinta-feira, 11, no segundo encontro do Brasil Adiante, série de eventos promovida pelo Estadão nos meses que antecedem as eleições de outubro, para construir uma agenda integrada e executável de soluções para os primeiros 24 meses do próximo governo. O encontro será no Espaço JK Eventos⁣ (Rua Professor Atílio Innocenti, 780 – Itaim Bibi), das 8h às 11h30, com transmissão ao vivo nas plataformas do Estadão.

No primeiro encontro, que aconteceu em maio, o debate teve como foco a eficiência do sistema de Justiça, o avanço dos custos do Judiciário e os efeitos da baixa previsibilidade judicial sobre investimentos, ambiente de negócios e atividade econômica (veja como foi). Até agosto, serão realizados outros três encontros que discutirão temas como Segurança Pública e Crime Organizado, Produtividade, Infraestrutura e Sustentabilidade.

As soluções elaboradas serão consolidadas em um documento que será entregue em novembro ao vencedor das eleições presidenciais. A ideia é encaminhar uma agenda integrada e executável de soluções para os primeiros 24 meses do próximo governo.

Na área da Educação, um dos principais desafios do presidente eleito será garantir recursos para ampliar ações que, conjuntamente, trazem resultados efetivos. Entre os exemplos já consolidados estão:

  • escolas em tempo integral;
  • formação de professores focada na prática;
  • internet rápida para alunos e escolas;
  • educação profissional tecnológica voltada para as vocações da juventude.

“A estratégia precisa ser incrementar gradativamente o financiamento, junto com políticas sólidas de controle interno, externo e social, de forma a garantir que este recurso seja também bem empregado e destinado a seu objetivo. Mais e melhor financiamento devem caminhar juntos, de forma estrutural”, diz Andressa Pellanda, coordenadora da Campanha Nacional pelo Direito à Educação e doutora em Ciências.

 Como o Brasil pode dar um salto de qualidade na educação e preparar melhor os jovens para o mercado?

Brasil precisa garantir recursos para ampliar políticas que, comprovadamente, trazem resultados à Educação. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

A educação em tempo integral, por exemplo, tem impulsionado os resultados dos estudantes em Língua Portuguesa e Matemática, reduzido a evasão e ampliado o acesso ao mercado de trabalho. Ana Paula Pereira, diretora-executiva do Instituto Sonho Grande, especializado no tema, pondera, no entanto, que é preciso oferecer uma educação que não se restrinja apenas a uma permanência maior na escola.

“É importante destacar que o impacto não acontece simplesmente porque o estudante passa mais horas na escola. O diferencial está na combinação entre jornada ampliada e uma proposta pedagógica estruturada, que aproxima a escola da vida dos jovens”, diz.

Mais escolas em tempo integral também ajudariam a reduzir as desigualdades no País, outro entrave para o desenvolvimento, como mostram dados do Ministério da Educação (MEC). Um em cada três municípios brasileiros não cumpriu o critério de redução de desigualdades raciais e socioeconômicas para receber mais verba federal para financiar a área.

De acordo com o MEC, do total de 5.569 municípios do País, 1.914 não cumpriram uma condição estabelecida pelo Valor Aluno Ano Resultado (VAAR) do Fundeb, mecanismo criado justamente para ampliar os recursos repassados pelo governo federal a Estados e municípios.

“A estratégia do próximo presidente, portanto, deveria ser uma política de educação integral, orientada pela equidade, priorizando investimentos nos territórios e grupos historicamente excluídos”, diz Ana Claudia Leite, gerente de Educação do Instituto Alana.

Qualificação profissional pode contribuir para reduzir evasão

Especialistas ainda lembram a relevância de uma alfabetização digital e computacional para as próximas gerações. O estímulo ao raciocínio científico, ao questionamento e à formulação de hipóteses pode aumentar a empregabilidade de jovens, dando, consequentemente, mais sentido ao ensino médio.

Com 7,3 milhões de alunos, o ensino médio é um dos maiores desafios da educação básica, principalmente por causa da evasão.

O número de matrículas no ensino médio no País caiu 5,3% de 2024 para 2025 e registrou a menor quantidade em uma década. A queda foi puxada pelas escolas públicas; a rede privada cresceu 0,6% no período.

Um dos caminhos para reduzir a evasão, apontam modelos internacionais, é a valorização da educação profissional e tecnológica, que pode ser oferecida integrada ao médio, mas também abrange cursos de qualificação profissional e de ensino superior.

“O que falta no Brasil há décadas é uma educação pós-secundária não universitária. A exemplo de vários países, o Brasil deveria investir muito em educação pós-secundária, em nível superior, que não envolva pesquisa, que é o que se faz nos Estados Unidos nos community colleges”, diz Leandro R. Tessler, professor do Instituto de Física Gleb Wataghin da Unicamp.

“Aqui se tentou fazer nos institutos federais, nas Fatecs (Faculdades de Tecnologia do Estado de São Paulo), mas elas são sempre levadas para um lado mais acadêmico, mais voltado à pesquisa”, acrescenta.

Valorização dos professores tem impacto direto nos alunos

Outro pilar para o desenvolvimento da educação é a formação de professores. E, neste quesito, o Brasil está longe do ideal.

Mais de um terço dos professores brasileiros avaliados pelo MEC não tem condições para dar aulas. A maior falha na formação está na Matemática, onde mais da metade dos docentes não alcançou o nível básico previsto pelo governo federal.

Os resultados da Prova Nacional Docente (PND), conhecida como “Enem dos professores”, foram divulgados no mês passado pelo MEC e contemplam 1.508 municípios (incluindo 18 capitais) e 22 redes estaduais.

Um estudo de pesquisadores da Fundação Getulio Vargas (FGV), com apoio do Instituto Península, mostrou que, no Brasil, o professor é responsável por quase 60% do resultado dos alunos no ensino fundamental. Isso quer dizer que ele é mais relevante que todas as outras variáveis da escola pública somadas, como número de alunos por turma, escolaridade dos pais, se há ou não internet e até o partido do prefeito.

A docência, porém, costuma ser a preferência dos estudantes que tiveram notas mais baixas em avaliações e que não conseguiram ser aprovados em outras graduações. Os cursos que formam professores, como as licenciaturas, costumam ser mais fáceis de ingressar porque oferecem muitas vagas, mensalidades baixas e educação a distância (EAD).

Para atrair talentos para a carreira, pesquisas internacionais mostram que um bom salário inicial é um fator de peso. Estudo divulgado pelo Movimento Profissão Docente analisou os salários de 2025 com base em dados oficiais e mostrou que um professor no Brasil, sem contar as gratificações e prêmios, começa sua carreira ganhando uma média de R$ 6,2 mil, o que corresponde a quase quatro salários mínimos. O piso estipulado por lei no ano passado foi de R$ 4.868.

Veja os detalhes e painéis do encontro

  • Data: 11 de junho⁣;
  • Local:⁣ Espaço JK Eventos⁣;
  • Endereço: Rua Professor Atílio Innocenti, 780 – Itaim Bibi;
  • Horário: Das 8h às 11h30;
  • Onde assistir? Transmissão ao vivo nas plataformas do Estadão.

Painel 1: Educação: como preparar os brasileiros para um mercado de trabalho que já mudou?

Painelistas: Priscila Cruz, cofundadora e presidente-executiva do Todos Pela Educação, Denis Mizne, CEO da Fundação Lemann, e Jair Ribeiro, fundador do Parceiros da Educação e da Proz Educação. Mediação de Renata Cafardo, repórter especial e colunista do Estadão.

Painel 2: Quem vai pagar a conta do envelhecimento no Brasil?

Painelistas: Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central e cofundador do IEPS (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde), Gonzalo Vecina, sanitarista e professor da USP, Paulo Moll, CEO da Rede D’Or São Luiz. Mediação de Thaís Manarini, editora do Pulsa, hub multiplataforma de saúde e bem-estar do Estadão.

Veja o cronograma do Brasil Adiante

  • 27 de maio: Encontro 1: Eixo I: Estabilidade Institucional e Fundamentos do Crescimento (veja como foi);
  • 11 de junho: Encontro 2: Eixo II: Capital Humano e Coesão Social (Educação e Saúde);
  • 23 de julho: Encontro 3: Eixo II: Capital Humano e Coesão Social (Segurança Pública e Crime Organizado);
  • 19 de agosto: Encontro 4: Eixo III: Produtividade, Infraestrutura e Sustentabilidade;
  • 27 de agosto: Encontro 5: Apresentação do documento consolidado, divulgação da agenda e fechamento do projeto;
  • Novembro: Entrega da agenda de soluções ao presidente eleito.

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