Dólar cai abaixo de R$ 5,20 no menor valor desde maio de 2024
O dólar recuou para abaixo de R$ 5,20 no menor patamar desde 28 de maio de 2024. A moeda americana era cotada às 9h50 a R$ 5,1792, com queda de 0,11%. A queda vem a reboque do forte fluxo de recursos de fora direcionados aos mercados emergentes nas últimas semanas.
Na terça-feira (27), a divisa dos EUA já havia fechado no patamar de R$ 5,20, no menor valor em mais de um ano e meio.
E se a comparação for com o último pico da cotação do dólar de R$ 6,26 em dezembro de 2024, a valorização do real já alcança mais de 17%.
Só neste ano, os investidores estrangeiros já colocaram R$ 17,7 bilhões nas ações brasileiras. Ou seja, um fluxo de cerca de US$ 3,4 bilhões em menos de um mês.
No ano passado, o chamado investidor não residente negociou R$ 2,8 trilhões em ações no mercado brasileiro à vista, segundo dados da plataforma Datawise+, da B3 e Neoway. Esse volume de fora representou 62% do movimento total das ações brasileiras.
Nesta quarta-feira, os mercados estão no modo espera antes das decisões sobre juros do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e do Banco Central brasileiro. Como a expectativa predominante é a de manutenção dos juros tanto aqui quanto lá fora, o chamado diferencial de juros, ou seja, a distância entre as taxas brasileira e americana, vai continuar no mesmo patamar.
O diferencial alcança atualmente cerca de 11,25 pontos percentuais a mais para a taxa brasileira. É uma diferença que atrai investidores em busca de maiores ganhos, principalmente, em um momento no qual o capital internacional tem buscado reduzir a exposição ao mercado americano.
Além disso, a tendência de enfraquecimento global do dólar também serve como fator de impulso para essa diversificação em outras moedas e geografias.
Os estrangeiros que montaram posições na bolsa brasileira, por exemplo, acumulam um ganho de mais de 13% em janeiro apenas com a variação do Ibovespa. Mas com a queda do dólar no ano, o retorno sobe para 19%. Isso porque a moeda americana registra um recuo frente ao real de cerca de 6% em 2026.
Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, chama a atenção ainda para outro fator extra de atração de capital para o país: a valorização das commodities. “Especialmente no caso do minério de ferro e do petróleo, essa valorização favorece o fluxo estrangeiro e sustenta o real.”


