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Fim da escala 6×1 – Estadão

Fim da escala 6×1 – Estadão

A maioria dos brasileiros apoia a redução da escala 6×1 de acordo com a pesquisa Datafolha realizada entre os dias 3 e 5 de março. Um aumento considerável se comparado ao mesmo estudo realizado no final de 2024, quando 61% da população se mostrava favorável à redução da jornada de trabalho.

A proposta em debate no Congresso Nacional aponta ainda um dado curioso: pessoas que trabalham até cinco dias na semana são mais favoráveis à mudança do que as que dão expediente seis ou mais dias semanais.

Entenda o debate sobre fim da escala 6×1 no Congresso

Governo defende projeto de lei e redução da jornada para 40h, enquanto Câmara se debruça sobre PEC que acaba com 6×1 e reduz jornada para 36h semanais.

O que ajuda a explicar essa diferença de posicionamento é o fato de o grupo dos não-apoiadores à redução da jornada ter maior proporção de autônomos e empresários — que justificam a manutenção da atual escala visando maior lucro.

Já entre os que trabalham até cinco dias na semana, a maioria é de indivíduos que realizam atividades em que a duração da jornada não influencia a renda.

A pesquisa foi realizada com base em entrevistas realizadas com 2004 pessoas maiores de 16 anos em 137 municípios do Brasil. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Outros dados apontados na pesquisa Datafolha revelam que, entre os entrevistados, 66% trabalham até 8 horas diárias, 28% mais de 8 a 12 horas por dia e 5% mais que 12 horas; 1% não soube responder.

Maioria vê impacto positivo na economia do País

Quando os entrevistados foram questionados sobre as consequências da mudança para a economia do País, 50% disseram que o final da escala 6X1 terá efeito ótimo ou bom. Enquanto 24% acreditam que o impacto será ruim ou péssimo.

O impacto da redução da jornada na economia também divide opiniões entre os especialistas. Alguns estudos apontam aumento de custos para as empresas; outras análises mostram que as taxas de desemprego não serão significativas.

Apesar do nome da proposta em debate, fim da escala 6×1, destacar os dias trabalhados na semana, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinaliza que a prioridade é a redução da jornal semanal de 44 horas para 40 horas.

Mulheres apoiam mais o fim da escala 6×1 em comparação aos homens entrevistados: 77% contra 64% dos representantes do gênero masculino. A margem de erro é de 3 pontos percentuais.

A pesquisa revela ainda que os jovens são maioria no apoio ao fim da escala 6×1 (83% dos entrevistados em 16 e 24 anos são favoráveis). Na faixa entre 35 e 44 anos, o apoio cai para 75%. Enquanto 55% das pessoas acima de 60 são favoráveis à proposta.

Opiniões mudam conforme escolha política e religião

Outro questionamento da pesquisa foi os efeitos que a redução da escala 6×1 teria sobre a vida pessoal dos entrevistados. O resultado: 68% acham que a mudança será ótima ou boa.

Segundo a pesquisa Datafolha, o posicionamento com relação à redução da escala varia de acordo preferências políticas e religiosas dos entrevistados.

55% das pessoas que votaram em Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições em 2022 são a favor do fim da escala; 43% são contra e 2% não souberam responder. Já entre os eleitores de Lula 82% são a favor do fim da escala, 16% são contra e 3% afirmaram não saber.

Quando a religião entra em pauta, 69% dos católicos apoiam o fim da escala 6×1, com margem de erro de 3% pontos porcentuais. Entre os evangélicos, 67% apoiam a proposta, nesse caso com margem de erro de quatro pontos porcentuais. Com um dado adicional: pessoas que frequentam a igreja mais de uma vez por semana são menos favoráveis (63% são a favor) ao fim da escala do que as que vão à igreja apenas 1 vez por ano (81% são favoráveis).

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