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Florianópolis se inspira em Copenhague em projeto para transformar o centro; veja como vai ficar

Florianópolis se inspira em Copenhague em projeto para transformar o centro; veja como vai ficar

Imagens feitas por drone mostram mar avançando no litoral de Santa Catarina

Sete cidades catarinenses decretaram emergência nos últimos meses após destruição de infraestrutura. Crédito: Defesa Civil

Ruas arborizadas, calçadas permeáveis, espaços de convivência e bulevares para circulação apenas de pedestres e ciclistas. É o que prevê para o centro de Florianópolis, capital de Santa Catarina, um projeto inspirado no centro de Copenhague, a capital dinamarquesa. O masterplan, que projeta a região para os próximos 50 anos, está sendo desenvolvido pelo escritório do renomado arquiteto dinamarquês Jan Gehl.

A proposta deve ser apresentada pelos arquitetos à população, autoridades e investidores no dia 18. As mudanças vão acontecer na área central de Florianópolis, onde estão construções históricas, como o Mercado Público e a Catedral, que será a nova “fachada” da cidade. O projeto prevê intervenções desde o Morro da Santa Cruz, até a Ponte Hercílio Luz, marco emblemático da cidade.

Copenhague inspirou o desenvolvimento do espaço público de Florianópolis, considerando transporte coletivo, ciclovias, praças, parques, com foco nas pessoas. A capital dinamarquesa é referência mundial em mobilidade sustentável.

O estudo resulta de parceria entre a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e a Associação Empresarial de Florianópolis (ACIF), com apoio da prefeitura. O projeto é elaborado pelo escritório Gehl Architects, em colaboração com o Laboratório de Urbanismo e Arquitetura (LUA), instituição privada.

A ideia é valorizar conceitos de mobilidade ativa, qualidade de vida e uso dos espaços públicos, redesenhando a região para as próximas décadas com foco nas pessoas. “Esse projeto representa uma oportunidade histórica de repensar o coração da nossa cidade, tornando-o mais acolhedor, vibrante e voltado para as pessoas”, diz Eduardo Koerich, presidente da CDL Florianópolis.

Copenhague: referência em mobilidade sustentável

A proposta é melhorar o caminhar e viver no centro da cidade, com foco na mobilidade sustentável e ativa. “Seus outros eixos são os espaços públicos e a resiliência climática, bairros completos, bairros inclusivos, design para crianças e o turismo sazonal. Tudo isso com o eixo transversal da segurança”, diz o município.

A arquiteta e urbanista Rute Nieto Ferreira, gerente sênior de projetos da Gehl Architects, também visitou Florianópolis. Projetos com a mesma tônica foram desenvolvidos pela Gehl em Nova York (EUA), Sydney (Austrália) e Moscou (Rússia).

Intervenções

As primeiras ações estão previstas nas ruas Francisco Tolentino, Esteves Júnior e Avenida Prof. Othon Gama D’Eça, fazendo uma conexão entre o centro histórico da cidade até a beira-mar. Nesse trecho do mar, hoje separado do contato urbano por avenidas e calçadas, a prefeitura projeta a construção de uma grande marina pública.

Durante a fase de design do projeto, também foram definidos três espaços públicos estratégicos para desenvolvimento de projetos-piloto, além da elaboração de um masterplan para a região central, que orientará futuras intervenções de forma integrada.

1- Mercado Vivo – Zona do Mercado Público e Rua Francisco Tolentino

Considerada o coração histórico da cidade, a área do Mercado Público é uma das mais movimentadas do centro, mas ainda fortemente dominada por carros e estacionamentos. A proposta prevê a qualificação do espaço público, transformando percursos em lugares de permanência e convivência, com a criação de novas praças.

A rua Francisco Tolentino será um eixo estratégico para integrar comércio, gastronomia e transporte coletivo, ativando o centro também nos fins de semana e no período noturno.

2- Zona Escolar – Rua Esteves Júnior (norte) e Praça Esteves Júnior

O trecho foi selecionado pelo potencial de se tornar um protótipo de rua escolar, com trânsito calmo, uso compartilhado e maior segurança para crianças e jovens.

A proposta transforma o trecho norte da via em uma rua-praça conectada à Praça Esteves Júnior, priorizando o pedestre e o brincar. As soluções testadas poderão inspirar intervenções semelhantes em outras zonas escolares da cidade.

3- Travessias na Beira-Mar Norte – conexão entre o Centro e o mar

Apesar de ser um dos espaços mais emblemáticos de Florianópolis, a Beira-Mar Norte ainda apresenta barreiras para pedestres e ciclistas devido à extensa via expressa.

O projeto propõe aumentar a permeabilidade urbana, criando travessias mais seguras e confortáveis entre o centro e o calçadão da beira-mar. A ideia é fortalecer a vida pública no entorno da orla e preparar a integração com futuros equipamentos urbanos, como o Marina Parque. Projeto da prefeitura, a marina terá 685 vagas para barcos e um espaço para transporte público marítimo, conectando a ilha ao continente.

Além do centro

“O escopo inicial prevê o desenvolvimento de projetos conceituais tangíveis para espaços públicos selecionados e um plano estruturante para a área central, considerando conexões, mobilidade, espaços públicos e o ritmo urbano. Trabalhamos com ações de curto, médio e longo prazo, sempre priorizando as pessoas”, diz Tatiana Filomeno, coordenadora do LUA e responsável técnica pelo projeto.

Tatiana diz que o masterplan funcionará como uma ferramenta orientadora para futuras intervenções, incluindo bairros adjacentes ao centro, como o Agronômica, Trindade, Saco dos Limões e José Mendes.

“Essa estrutura urbana simplificada descreve prioridades espaciais e cria uma base para que os próximos projetos mantenham coerência, qualidade e alinhamento ao longo do tempo, inclusive além das áreas inicialmente estudadas.”

Recursos

Não haverá recursos diretos da prefeitura no projeto. A participação do poder público é de apoio institucional na construção e aplicação dos projetos, sem financiamento direto. O orçamento para implementar as transformações propostas será definido de acordo com o avanço dos projetos.

Um dos desafios será lidar com os problemas atuais de mobilidade precária, comércio informal e população de rua instalada no centro. Conforme Tatiana, a qualificação dos espaços públicos da cidade traz a reboque soluções alternativas. “Mais pessoas nas ruas trazem maior segurança. A qualidade do espaço público atrai mais pessoas ao caminhar e ajuda na mobilidade. Ruas e calçadas melhores atraem mais pessoas ao comércio. Soluções de problemas mais complexos exigem um conjunto de ações somadas a este projeto.”

Ela diz ainda que, ao reduzir a prioridade do carro e aumentar a infraestrutura para pedestres e ciclistas, pretende-se liberar espaço público de circulação para usos mais variados — inclusive para comércio local e lazer. “Espaços públicos mais atraentes e com maior circulação de pessoas tendem a beneficiar o comércio local, oferecendo uma experiência urbana mais qualificada ao pedestre – aqui incluindo também os turistas, além dos moradores.”

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