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Governo de MG faz apelo para famílias deixarem áreas de encostas: ‘Risco geológico é muito grave’

Governo de MG faz apelo para famílias deixarem áreas de encostas: ‘Risco geológico é muito grave’

Bombeiros buscam sobreviventes em área atingida pelas chuvas em Juiz de Fora

Temporal deixou cenário de destruição, com mortos, desaparecidos e desabrigados na região da Zona da Mata de MG. Crédito: Pedro Kirilos/ Estadão

O governo de Minas Gerais pediu aos moradores de Juiz de Fora e região, que vivem em áreas de risco, como as encostas de morros, que deixem as respectivas casas em razão da possibilidade de desmoronamentos e deslizamento de terra. A região da Zona da Mata Mineira foi atingida por uma chuva histórica entre a noite de segunda-feira, 23, e a madrugada desta terça, 24.

Os temporais provocaram enchentes, desabamento de edificações e a morte de 30 pessoas, sendo pelo menos 21 em Juiz de Fora e sete em Ubá, outro município bastante atingido. Os óbitos, porém, podem aumentar, visto que outras 39 pessoas estão desaparecidas.

Em entrevista coletiva concedida na tarde desta terça, o vice-governador Mateus Simões chamou destacou que os alertas disparados pela Defesa Civil não podem ser tratados apenas como “um aviso” ou uma “previsão do tempo”. “Demandam ação imediata”, afirmou.

Ele disse que enquanto se reuniu com a prefeita Margarida Salomão (PT), um segundo alerta foi emitido. “O que isso significa? Que pessoas que estão em área de encosta precisam sair imediatamente das suas casas. É um pedido que eu estou fazendo pela vida das pessoas”, afirmou o vice-governador.

“Nós estamos com o terreno muito úmido neste momento. O risco geológico é muito grave em toda a região. Então, eu preciso que as famílias que estão em área de encosta saiam da área de encosta”, continuou.

Simões acrescentou que engenheiros do Conselho de Engenharia e Agrononomia (Crea) foram mobilizados para ir a Juiz de Fora e ajudar no mapeamento de outras áreas de risco. “Preciso que a população colabore atendendo a esses chamados”.

Conforme mostrou o Estadão, Juiz de Fora tem a nona maior população do Brasil vivendo em áreas de risco. Dos 540 mil habitantes do município, cerca de 130 mil pessoas estão suscetíveis a deslizamentos, inundações e enxurradas, segundo dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), órgão ligado ao Ministério da Ciência.

Com isso, quase um quarto da cidade está vulnerável a eventos extremos como a chuva que caiu nesta madrugada. Com o temporal, Juiz de Fora vive o fevereiro mais chuvoso de sua história, com 589 mm de chuva acumulados até o momento, mais de três vezes o volume esperado para o mês (170 mm).

Simões ainda alertou que Juiz de Fora e Matias Barbosa, outro município da região, estão com área alagadas, o que pode aumentar a quantidade de doenças “ligadas às enchentes”. Por esse motivo, ele orientou que as crianças evitem os locais com poças d’água.

“Eu preciso que as crianças fiquem fora das áreas alagadas. Os pais têm que colaborar e entender que área alagada não é brinquedo para criança. O risco de doença, efetivamente, é muito alto”, disse o vice-governador, pedindo que as pessoas respeitem as ordens até a situação “voltar à normalidade”.

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