Indígena é deixado à deriva em rio após ser roubado e amarrado no Vale do Javari, relata entidade
Um indígena da etnia Marubo foi deixado amarrado e à deriva em um rio após ser roubado no começo da semana por um grupo de pescadores na terra indígena do Vale do Javari, no Amazonas, segundo comunicado divulgado neste sábado, 7, pela Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari).
A entidade afirma que a vítima, identificada como Mateus Aurélio, só foi encontrada após 24 horas. A abordagem ocorreu na última terça-feira, 3, no Rio Ituí. O Estadão busca contato com a Polícia Federal e com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
O Vale do Javari, no extremo oeste do Amazonas, ficou marcado pelos assassinatos em 2022 do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, após conflitos com um grupo supostamente envolvido com pesca ilegal.
Nos últimos anos, como vem mostrando o Estadão, a região vem sendo alvo inclusive do avanço de facções criminosas, que têm usado até barcos com cargas de pirarucu para transportar cocaína e skank. Como reflexo disso, crimes contra indígenas e quilombolas também têm disparado na Amazônia.

Nos últimos anos, Vale do Javari vem sendo alvo inclusive do avanço de facções criminosas, que importam cocaína e skunk de países vizinhos Foto: Wilton Junior/Estadão
Segundo a Univaja, o ataque a Mateus foi praticado por invasores dentro da território indígena do Vale do Javari. “O fato ocorreu quando a vítima, que viajava em comitiva retornando de Atalaia do Norte, saiu em uma pequena canoa para pescar, buscando alimento para o grupo nas imediações da Aldeia Beija-Flor (povo Matis)”, diz.
Por volta das 11h, ele foi cercado e abordado por pescadores ilegais não-indígenas, segundo a entidade. “Os invasores o acusaram falsamente de ter roubado materiais da quadrilha”, diz a Univaja. Mateus teve os pés, mãos e boca amarrados pelo grupo.
Após ameaças de morte, continua a entidade, os criminosos roubaram a espingarda e o aparelho celular do pescador e o deixaram em uma canoa, à deriva no rio. “Mateus ficou nesta situação de grave perigo por mais de 24h, e só foi encontrado pelas equipes de busca no outro dia”, diz a nota.
A Univaja afirma que, assim que recebeu o relato do caso, na sexta-feira, 6, enviou todo o registro da ocorrência e as informações levantadas a respeito dos autores para os órgãos competentes. Reforçou ainda um pedido de “atenção especial para proteção dos isolados”.
“Este tipo de ato revela e confirma a presença de organizações criminosas fortemente armadas, que seguem circulando livremente e praticando atos de tortura e tentativa de homicídio nesta exata localidade, o que representa uma ameaça de extermínio iminente aos grupos isolados”, afirma, no comunicado. Ainda não há registros de prisões.



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