Juiz de Fora, destruída por chuva, está entre as 10 cidades com mais gente em áreas de risco no País
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Defesa Civil da cidade estima que mais de 400 pessoas estejam desabrigadas após as chuvas de 23 de fevereiro.
Juiz de Fora, na zona da mata mineira, tem a nona maior população do Brasil vivendo em áreas de risco. São cerca de 130 mil pessoas suscetíveis a deslizamentos, inundações e enxurradas, segundo dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), órgão ligado ao Ministério da Ciência.
Com isso, quase um quarto da cidade de 540 mil habitantes fica vulnerável a eventos extremos como as chuvas dos últimos dias, que já deixaram 16 mortos, 45 desaparecidos e mais de 400 desabrigados. Diante disso, o município decretou calamidade pública.
O levantamento do Cemaden compreende 1.942 cidades brasileiras. Em Minas, Juiz de Fora é a terceira com maior população em área de risco, atrás apenas de Belo Horizonte e Ribeirão das Neves.
Os números integram uma nota técnica de 2023, produzida como insumo ao Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal, buscando atualizar critérios e identificar os municípios mais suscetíveis a ocorrências de desastres para serem priorizados nas ações da União em gestão de risco.
Até o fechamento da reportagem, prefeitura e governo federal não responderam sobre o repasse de verbas e o cronograma de execução do PAC para contenção de encostas e outras obras de prevenção de desastres.

Bairro Parque Jardim Burnier foi uma das regiões mais afetadas pela tempestade recorde em Juiz de Fora Foto: Pablo Porciuncula/AFP
Segundo o coordenador geral de Operações e Modelagem do Cemaden, Marcelo Seluchi, Juiz de Fora também é a 9ª cidade com maior histórico de envio de alertas e ocorrências pelo órgão.
“Isso é muito significativo em um país que tem mais de cinco mil municípios”, observa. Em relação a esses alertas, a Zona da Mata mineira só fica atrás de grandes áreas metropolitanas, como a de São Paulo, Rio e Belo Horizonte, a Região Serrana do Rio e o Litoral Norte paulista.
Segundo Seluchi, o órgão vêm alertando sobre as chuvas no Sudeste desde a semana passada, em reuniões com a Defesa Civil Nacional, alertas para as defesas civis estaduais e municípios monitorados. No caso de Juiz de Fora, o alerta para movimentos de massa e processos hidrológicos, como inundações, foi iniciado ainda na quinta-feira, 19.
Esses alertas tem como finalidade balizar ações da defesa civil local. “O Cemaden não tem a competência de decidir sobre evacuação de pessoas, tocar sirenes. Nós assessoramos as ações da Defesa Civil, tentando enviar os alertas com maior antecedência e precisão possível”, afirma.
Natureza + ocupação
Segundo o pesquisador do Serviço Geológico do Brasil (SGB), Julio Lana, os desastres são consequência das características naturais da região e da forma de ocupação desenvolvida historicamente nessas cidades.
“É uma região de relevo bastante acidentado, com morros muito íngremes, vales encaixados e a ocupação urbana concentrada ao longo dos fundos desses vales, nas margens dos rios e também nas encostas”, explica.
Do ponto de vista hidrológico, muitos dos cursos d’água existentes na região atravessam áreas urbanizadas, favorecendo o transbordamento e inundações, principalmente com a elevação súbita de volume provocada pelo excesso de chuvas, como no caso do Rio Paraibuna.
Segundo Lana, os solos locais são profundos e, quando ficam saturados pelo excesso de água da chuva, podem perder a resistência rapidamente, provocando deslizamentos repentinos.
O SGB já mapeou as áreas de risco geológico nos dois municípios:
- em 2017, 80 setores de risco foram mapeados em Juiz de Fora;
- identificou, em 2012, 30 áreas de risco em Ubá.
Os municípios também possuem carta de suscetibilidade a movimentos de massa elaborada pelo SGB, instrumento que classifica o território municipal em diferentes classes de propensão natural a deslizamentos, quedas de blocos de rocha, inundações. O trabalho indica para a gestão municipal quais são as áreas mais propensas a desastres frente a chuvas intensas como as dos últimos dias.
Entre os 1,8 mil municípios em que foram identificados esses riscos e já cartografados pelo órgão federal, Minas concentra o maior número de áreas de risco, com 3.565 mapeadas. Nesse ranking estadual, conforme os dados do SGB, Juiz de Fora aparece em quinto lugar, atrás de Ouro Preto, Betim, Ibirité (essas duas na Grande BH) e Ipatinga.



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