Não dá para dizer que Mundial com 32 times é igual a com 6 – 15/12/2025 – O Mundo É uma Bola
Compare, leitor, as duas competições mundiais de clubes organizadas pela Fifa.
A primeira com 32 participantes, os melhores dos quatro anos mais recentes de todas as confederações. Com duração de aproximadamente um mês. Com formato, bem-sucedido, igual ao da Copa do Mundo de seleções realizada de 1998 a 2022.
Uma baita competição, realizada pela primeira vez no meio deste ano, nos EUA, com presença dos brasileiros Botafogo, Flamengo, Fluminense e Palmeiras e com o Chelsea, da Inglaterra, sendo campeão.
Chamada pela Fifa de Mundial de Clubes –e de Copa do Mundo por esta Folha (mas não por este colunista).
A segunda competição, com seis equipes, realizada desde 2024, com as campeãs do ano em seus respectivos continentes, começando em um mês (setembro, duas partidas, em países diferentes) e terminando em outro mês (dezembro, em um terceiro país).
Seu regulamento, esdrúxulo, estipula que duas das equipes (em 2025, Pyramids e Auckland City), para serem campeãs, precisem ganhar quatro partidas, enquanto outra (em 2025, o Paris Saint-Germain), vencer apenas uma. Um desvario esportivo.
Chamada pela Fifa de Copa Intercontinental –também por esta Folha (e por este colunista).
Faço a pergunta: qual desses dois campeonatos deve ter importância maior? Óbvio para todos, menos para quem os promove.
Fiz a pergunta para a Fifa, pelo canal de comunicação oferecido aos jornalistas: o título de cada uma dessas competições terá o mesmo peso? A federação não deu resposta.
Por quê? Porque ela não tem interesse em apontar, em bancar, o óbvio ululante, termo utilizado pelo genial cronista Nelson Rodrigues (1912-1980).
Para a Fifa, tanto PSG ou Flamengo (finalistas da Intercontinental) como o Chelsea serão campeões mundiais. O peso de cada conquista ela deixará para que o mundo do futebol decida. Esperta, pois assim não desagrada a ninguém.
Uma esperteza essa, via omissão, desprezível. A Fifa alimenta polêmica, e talvez seja esse mesmo o objetivo, seguindo aquele ditado: “Fale bem ou fale mal, fale de mim”.
Quanta falta de caráter, de atitude, de coragem. É imperativo que uma entidade que se considera séria, e pelo tamanho que tem (211 membros, mais que as Nações Unidas), altere a relevância do Mundial de Clubes.
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Para isso, não seria preciso reduzir a importância da Copa Intercontinental, tornando-a um “Mundialzinho”. Até porque a Fifa decidiu anos atrás que a Intercontinental original (de 1960 a 2004) tem status de Mundial. Voltar atrás é suicídio.
Mas, veja (você, leitor, e você, Fifa), é simples demais resolver, fácil até: o Mundial de Clubes passa a ser chamado de Supermundial de Clubes. Pela sua dimensão, e por ser realizado de quatro em quatro anos (a Intercontinental é anual), merece esse conceito, esse cartaz.
É assim que eu o chamei, chamo e chamarei: Supermundial.
Pois é impossível equiparar PSG ou Flamengo, mais o Real Madrid (campeão da Intercontinental em 2024), ou qualquer outro campeão intercontinental/mundial anterior, ao Chelsea. É comparar banana com maçã, misturar alhos com bugalhos.
O ganhador da Intercontinental tem seus méritos. É uma conquista enorme, que deve ser celebrada e valorizada. Campeão mundial, OK.
Só que o Chelsea obteve mais que qualquer um até hoje. Seu título é muito superior, é especial e é, até agora, único. Está acima dos outros, querendo a Fifa ou não. É supercampeão mundial. E ponto final.
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