No acordo entre bancos e IG4 pela Braskem, dívida de R$ 20 bilhões é trocada por ganho futuro
Para viabilizar o acordo que leva a IG4 Capital ao controle da Braskem, os bancos credores da Novonor aceitaram trocar a dívida da antiga Odebrecht por instrumentos financeiros ligados ao valor futuro da petroquímica, em vez de simplesmente vender os créditos a qualquer preço.
No acerto fechado com a IG4, Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e BNDES concordaram em receber derivativos que dão direito a participar do ganho quando a gestora de Paulo Mattos decidir vender as ações da Braskem no futuro, segundo apuração da Bloomberg.
A engenharia ajuda a fechar a conta econômica do negócio. Hoje, a Braskem vale cerca de R$ 6 bilhões em bolsa. A diferença fica ainda mais evidente quando se compara o valor da dívida garantida em ações — cerca de R$ 20 bilhões — com o valor atual dessa fatia, hoje em torno de R$ 2 bilhões.
Pelo desenho da operação, os créditos problemáticos da Novonor serão transferidos para um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC), enquanto as ações da Braskem ficarão em um fundo de investimento em participações (FIP) ligado à IG4.
Assim, os bancos limpam o balanço e deixam para trás a execução direta das garantias, mas mantêm uma exposição indireta à recuperação futura do valor da companhia, caso a reestruturação conduzida pela gestora tenha sucesso.
Como fica
A IG4 ficará com 50,1% do capital votante e cerca de 34% do capital total da Braskem, dividindo o controle com a Petrobras, enquanto a Novonor manterá apenas 4% do capital, sem direitos de governança. A transferência das ações da antiga Odebrecht para a IG4 deverá ocorrer dentro do prazo operacional de até 60 dias.
Para os bancos, a aposta é que uma eventual valorização da Braskem — seja por melhora operacional, resolução de passivos ou mudança no ciclo petroquímico — permita recuperar parte das perdas já reconhecidas em balanço quando o controle for vendido no futuro.
Um representante do BNDES disse que o banco não comenta assuntos envolvendo empresas de capital aberto, e representantes do Bradesco, do Banco do Brasil e do IG4 não quiseram comentar. O Itaú e o Santander não responderam aos pedidos de comentários.

