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Petrobras se esquiva sobre Braskem e aponta ciclo de geração de caixa com pré-sal, refino e gás

Petrobras se esquiva sobre Braskem e aponta ciclo de geração de caixa com pré-sal, refino e gás

Após registrar produção recorde de petróleo em 2025, impulsionada pelo avanço do pré-sal, a Petrobras vê espaço para ampliar a geração de caixa nos próximos anos com três frentes: crescimento da produção, maior utilização das refinarias e expansão do mercado de gás natural.

A estratégia da maior empresa do país será executada em um cenário de maior volatilidade do petróleo, em meio às tensões no Oriente Médio, que aumentaram a pressão do mercado sobre eventuais repasses de preços dos combustíveis no Brasil.

Já sobre a crise da Braskem, com o risco de a gestora IG4 abandonar as negociações para assumir o controle da petroquímica diante da demora na análise do caso pelo Cade, a diretoria da Petrobras se esquivou e demonstrou otimismo de que o órgão regulador libere a transação “o mais breve possível”. Após a publicação deste texto, o Cade autorizou a troca de controle na Braskem.

Crise da Braskem

A situação da Braskem voltou ao radar da diretoria da Petrobras. Executivos foram questionados na manhã desta sexta-feira (6) sobre o andamento da operação que pode levar a gestora IG4, do investidor Paulo Mattos, a assumir o controle da petroquímica ao lado da estatal.

O processo aguarda análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) desde dezembro e vem se arrastando mais do que o esperado, aumentando a incerteza sobre o futuro da empresa.

Como o InvestNews mostrou com exclusividade na quarta-feira (4), a demora regulatória começa a pressionar a situação financeira da petroquímica, que teria cerca de três meses de caixa para fazer frente às suas obrigações.

O cenário de incerteza também passou a afetar o destino da transação. A IG4 já sinalizou a bancos credores que pode abandonar as negociações caso o processo no Cade siga se arrastando a situação financeira da companhia se deteriore ainda mais.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a estatal segue acompanhando o processo, mas destacou que a conclusão da operação depende da decisão das autoridades concorrenciais. A executiva disse esperar que a análise do Cade seja concluída “o mais breve possível”.

Refinaria da Braskem nos Estados Unidos(Bloomberg/Luke Sharrett)

“Enquanto o processo não é concluído, seguimos acompanhando a situação. As decisões estruturais dependem da conclusão dessa etapa”, acrescentou o diretor financeiro Fernando Melgarejo, durante a apresentação dos resultados da Petrobras no quarto trimestre de 2025.

A Braskem encerrou o terceiro trimestre do ano passado com dívida líquida de cerca de US$ 7,1 bilhões e alavancagem de 14,8 vezes o Ebitda, patamar considerado elevado por analistas e que limita o acesso da empresa a novas captações no mercado. 

Diante do aperto de liquidez, uma eventual recuperação judicial já passa a ser discutida.

Crescimento no pré-sal

Sobre óleo e gás, Magda destacou que o crescimento de 11% na produção de 2025 se deve, em grande parte, a melhorias na gestão de reservatórios, que reduziram o declínio natural dos campos e permitiram que plataformas recém-instaladas no pré-sal se traduzissem em crescimento líquido de produção.

“A gente conseguiu reduzir o declínio das jazidas e isso muda o patamar de produção. Com novas plataformas entrando em operação, elas passam a representar aumento real de produção”, afirmou a CEO da Petrobras.

Entre os projetos que sustentam essa estratégia estão novas plataformas no pré-sal e o ramp-up de unidades que entraram recentemente em operação. A Petrobras citou, entre os sistemas em aceleração, os FPSOs Almirante Tamandaré, no campo de Búzios, Marechal Duque de Caxias, em Mero, e Maria Quitéria, em Jubarte, além da P-78, também em Búzios. 

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Plataforma P-74 no campo de Búzios, operado pela Petrobras com duas sócias chinesas. Foto: Divulgação/Petrobrás

Nos próximos anos, a companhia ainda prevê a entrada de novas unidades no mesmo campo, como P-79, P-80, P-82 e P-83, que devem sustentar o aumento gradual da produção no pré-sal.

Búzios, em particular, vem se consolidando como o principal motor de crescimento da Petrobras. O campo já ultrapassou a marca de 1 milhão de barris por dia de produção e concentra boa parte dos novos sistemas que entrarão em operação ao longo da década.

Refino e gás

Outro eixo da estratégia é ampliar o uso das refinarias. As unidades operaram com capacidade média de utilização de 91% em 2025, nível que a companhia pretende elevar ainda mais neste ano. O objetivo é aumentar a produção de derivados de maior valor agregado –principalmente diesel, gasolina e querosene de aviação – e capturar mais margem no mercado doméstico.

“Aumentar a utilização das refinarias é uma forma direta de capturar valor adicional na cadeia. Quando operamos próximos da capacidade máxima, conseguimos melhorar o mix de derivados e ampliar a rentabilidade do refino”, afirmou Magda Chambriard.

A estratégia também inclui investimentos para ampliar a produção de combustíveis de maior qualidade e adaptar unidades industriais para novos produtos, como diesel de baixo teor de enxofre e combustíveis de aviação.

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Gás Natural – Foto: Agência Petrobras

No segmento de gás natural, a companhia também vê espaço para crescimento, impulsionado pela abertura gradual do mercado brasileiro e pela expansão do consumo industrial. A diretoria destacou o aumento da base de clientes no mercado livre de gás, com novos contratos firmes assinados nos últimos meses.

“Estamos ampliando nossa presença no mercado livre e diversificando a carteira de clientes. O gás natural é um vetor importante de crescimento para a companhia nos próximos anos”, acrescentou Melgarejo.

A Petrobras também aposta na expansão da infraestrutura de escoamento e processamento de gás, incluindo projetos ligados ao Complexo de Energias Boaventura, no Rio de Janeiro, que deve reforçar a oferta do combustível para o mercado brasileiro.

Política de preços

Apesar da volatilidade recente do petróleo, a Petrobras indicou que pretende manter sua estratégia comercial para combustíveis no Brasil, baseada na observação das paridades internacionais, mas evitando repassar automaticamente oscilações de curto prazo ao consumidor.

“A nossa estratégia comercial foi construída justamente para momentos de volatilidade. A gente observa o mercado, mas não transfere automaticamente cada movimento para o preço doméstico”, disse Melgarejo.

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Irã sofre ataques dos EUA neste sábado (28/02) (Foto: Bloomberg)

Executivos lembraram que o diesel permanece há cerca de 300 dias sem reajuste, citando o dado como exemplo da estratégia de estabilidade de preços no mercado interno.

A estratégia operacional ocorre em um momento de maior incerteza no mercado internacional de petróleo, impulsionada por tensões geopolíticas e oscilações recentes no Brent. Executivos disseram que a companhia foi estruturada para operar em uma ampla faixa de preços da commodity.

“Temos que estar preparados para qualquer cenário. Se o petróleo estiver a US$ 85 ou a US$ 55, a empresa precisa continuar gerando caixa e executando seus projetos”, concluiu Magda.

Resultados

No quarto trimestre de 2025, a Petrobras registrou receita líquida de R$ 127,4 bilhões, alta de 5% na comparação anual, enquanto o Ebitda ajustado somou R$ 59,9 bilhões, avanço de cerca de 46,3% frente ao mesmo período de 2024.

A companhia também voltou ao azul no período, com lucro líquido de R$ 15,6 bilhões, após ter registrado prejuízo de R$ 17 bilhões no quarto trimestre do ano anterior.

No acumulado de 2025, a petroleira reportou lucro líquido de R$ 110,6 bilhões, quase triplicando o resultado em relação a 2024.

A produção total de óleo e gás cresceu 11%, com média próxima de 2,99 milhões de barris de óleo equivalente por dia, impulsionada principalmente pela entrada de novos sistemas no pré-sal.

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