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Podemos encerrar o assunto ‘Neymar na Copa’? – 14/11/2025 – Marina Izidro

Podemos encerrar o assunto ‘Neymar na Copa’? – 14/11/2025 – Marina Izidro

Perdi as contas de quantas vezes ouvi a palavra “chilique” em debates esportivos na imprensa em referência à atitude de Neymar na partida contra o Flamengo. Foi unanimidade: faltaram performance e profissionalismo.

Nos últimos dias, só se fala nele. Muito. Em detalhes. Análise de cada reclamação, xingamento, cada palavra na entrevista no intervalo, o chute na garrafa d’água, o “vai me tirar?”. Não seria diferente, dado o tamanho do jogador.

Só que o debate é na mesma semana em que a seleção enfrenta o Senegal, sábado (15), aqui em Londres, e depois a Tunísia, terça (18), em Lille. E essa coincidência pode servir também para enterrar o assunto “Neymar na Copa”.

Houve quem tentasse adivinhar por que o capitão do Santos agiu daquele jeito: estaria frustrado com companheiros que são piores do que ele; irritado por não conseguir jogar em alto nível; percebendo que a chance de ir para o Mundial está desaparecendo. Não terei a presunção de dizer por que um atleta se comporta de determinada forma nem de questionar sua motivação. Só o próprio pode falar.

Podemos opinar sobre o que vemos. Como brasileiros, esperamos que nossos craques estejam nas melhores condições possíveis para defender a seleção. Mas há cada vez mais um desencantamento e a aceitação de que o jogador, apesar do talento indiscutível, não está entre os melhores do mundo faz tempo. Até porque ele quase não joga.

O jornalista André Rizek mostrou dados que comprovam essa percepção: a última vez que Neymar fez 40 jogos por seu clube foi no Barcelona na temporada 2016/2017, a mesma em que ficou em 3º no prêmio da Fifa de melhor do mundo. Desde então, a melhor colocação foi um 9º lugar. Quando foi para o PSG, começaram lesões em sequência. Na Arábia Saudita, disputou apenas cinco partidas na primeira temporada e duas na segunda. No Santos, a dificuldade continua.

Pelo histórico, diminuem as chances de que em quatro meses, até a última convocação antes da lista final para a Copa, o panorama mude radicalmente. Essa Data Fifa de novembro é possivelmente a última para grandes testes, e o grupo chamado em março deve estar próximo do que vai para ao Mundial.

Além disso, discordo de quem diz que, para Neymar ir à Copa, só depende dele mesmo. Não é bem assim. Depende também de Carlo Ancelotti querer que ele esteja.

O italiano tem experiência suficiente para não ceder a pressões de que ele “tem que ir de qualquer jeito” (apesar de esse discurso estar diminuindo). Preza pelo comportamento de seus comandados, pelo ambiente no grupo, e hoje o clima na seleção é de paz. A repercussão na imprensa internacional do episódio contra o Flamengo é péssima. Também não terei a arrogância de dizer o que se passa na cabeça do treinador, mas faria sentido convocar alguém, pela primeira vez, que não está bem fisicamente e traz consigo manchetes negativas não é de hoje? O risco pode ser alto demais.

Semana passada, ao escrever sobre o caso Leão e Oswaldo de Oliveira, defendi que, independentemente do país onde nasceu, ser treinador do Brasil deveria ser um privilégio, não um direito. Ser parte do time também. Nenhum indivíduo é maior que a seleção. Como disse o atacante Matheus Cunha nesta semana, é preciso demonstrar sempre por que se merece estar ali.


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