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Preços do petróleo atingem US$ 100, mas Trump prevê queda rápida. Analistas discordam

Preços do petróleo atingem US$ 100, mas Trump prevê queda rápida. Analistas discordam

Os preços do petróleo dispararam no início desta segunda-feira (9), chegando brevemente perto de US$ 120 por barril, enquanto a guerra envolvendo o Irã ameaça provocar uma crise energética global. No entanto, os preços recuaram novamente para perto de US$ 100 em negociações voláteis pela manhã.

Os contratos futuros do Brent subiam cerca de 11%, para US$ 102,48, no início do dia, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) avançava 11%, para US$ 100,49. Ambos chegaram a US$ 119,50 durante a madrugada, antes de recuar após a notícia de que ministros das Finanças do G7 se reunirão nesta segunda-feira para discutir a liberação de reservas emergenciais de petróleo.

Os preços do gás natural na Europa subiram 14% e já acumulam alta superior a 90% desde o início do conflito.

O presidente Donald Trump afirmou que os “preços do petróleo no curto prazo” são “um preço muito pequeno a pagar” pela segurança e pela paz dos Estados Unidos e do mundo. Em uma publicação no Truth Social no domingo à noite, ele acrescentou que espera que os preços caiam rapidamente assim que a ameaça nuclear do Irã for eliminada.

Os comentários de Trump sugerem que o aumento dos preços da energia não deve impedir o envolvimento dos EUA no conflito no Oriente Médio — e podem explicar parcialmente o salto do petróleo durante a madrugada.

A nomeação de Mojtaba Khamenei como líder supremo do Irã — filho de Ali Khamenei, morto em ataques aéreos de EUA e Israel — também indica que o país deve manter sua postura de linha dura.

Vários acontecimentos no fim de semana ameaçaram a oferta e a produção de petróleo. Israel atingiu diversas instalações de armazenamento de combustível em Teerã, enquanto drones iranianos atacaram uma refinaria no Bahrein, segundo o The Wall Street Journal.

Os bombardeios contra depósitos de petróleo do Irã “sugerem uma mudança na estratégia de guerra”, afirmou Mohit Kumar, economista da Jefferies. Segundo ele, atacar infraestrutura crítica aumenta o custo humano da guerra, tanto em vítimas civis quanto no impacto econômico. “O mercado também teme possíveis contra-ataques contra a infraestrutura petrolífera de países vizinhos do Golfo”, acrescentou.

Kuwait e os United Arab Emirates foram os mais recentes países a sinalizar redução da produção de petróleo no sábado — depois de Iraq ter cortado a produção na semana passada.

Enquanto isso, o tráfego pelo Strait of Hormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, permanece mínimo.

Até onde o petróleo pode subir?

Analistas do Goldman Sachs disseram que os preços podem superar os picos de 2008 e 2022 caso os fluxos pelo Estreito de Hormuz permaneçam reduzidos ao longo de março. Em 2008, o petróleo chegou perto de US$ 150 por barril.

Do ponto de vista técnico, o Brent subir para US$ 200 ou até US$ 240 por barril está “se tornando mais provável”, afirmou Andrew Addison, responsável pelo serviço de análise Institutional View. Segundo ele, um fechamento mensal acima de US$ 140 confirmaria essas projeções de alta.

A queda dos preços — de quase US$ 120 para perto de US$ 100 — ocorreu após reportagem do Financial Times de que ministros das Finanças do Group of Seven discutirão uma liberação conjunta de reservas emergenciais de petróleo.

“Vamos ver qual impacto isso pode ter, mas a duração e a intensidade do conflito ainda serão, de longe, o fator mais importante”, afirmou Jim Reid, estrategista do Deutsche Bank.

Escreva para Callum Keown em callum.keown@dowjones.com.

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