Presidente do Paraguai diz concordar com governo Trump em classificar PCC e CV como organizações terroristas
PCC e Comando Vermelho são ‘ameaças significativas’ à segurança regional, diz governo Trump
Crédito: Felipe Frazão | Captação: Isabella Almada | Edição: João Abel
O governo dos Estados Unidos sinalizou no início do mês a intenção de as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) sejam enquadradas como organizações terroristas. Em entrevista publicada neste quinta-feira, 12, pelo jornal Valor, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, afirmou concordar com a iniciativa.
“A opinião do Paraguai é favorável, por isso nós tomamos a decisão no ano passado de designar essas duas organizações como grupos criminosos. E obviamente para nós é uma grande preocupação, porque tínhamos uma presença muito ativa de ambas as organizações no território paraguaio”, afirmou o presidente paraguaio.

Os presidentes Santiago Peña (Paraguai) e Donald Trump (EUA) durante encontro em outubro de 2025 Foto: Evan Vucci/AFP
A discussão sobre considerar PCC e CV como grupos terroristas ganhou corpo no ano passado e pautou debates no Congresso Nacional, com adesão de parlamentares de direita e de oposição, mas não recebeu apoio da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de pesquisadores da área, céticos quanto aos reais efeitos da medida.
Agora, mesmo sendo uma iniciativa do governo americano – ou seja, que não diz respeito à forma como o Brasil lida com o tema –, há leitura parecida: especialistas alertam que as ações em relação ao País sejam incertas, a mudança poderia ser pouco eficiente na prática e gerar efeitos que podem afetar até o mercado financeiro.
Posicionamento dos EUA
O governo Trump voltou neste mês a falar sobre a classificação de organizações terroristas, algo já rejeitado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva, com base na legislação nacional e internacional sobre o tema.
“Os EUA veem organizações criminosas do Brasil, incluindo o PCC e o CV, como ameaças significativas à segurança regional devido ao seu envolvimento com tráfico de drogas, violência e o crime transnacional”, afirmou nesta semana um porta-voz da diplomacia americana.
O Departamento de Estado ainda não tem uma data para decidir sobre a classificação, à qual o governo Luiz Inácio Lula da Silva se opõe.
O assunto foi discutido no domingo, 8, em telefonema entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado, Marco Rubio.
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