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Promessas de suporte de acionistas da Raízen foram insuficientes, diz Fitch após rebaixamento

Promessas de suporte de acionistas da Raízen foram insuficientes, diz Fitch após rebaixamento

As promessas de suporte dos principais acionistas da Raízen foram insuficientes e tardias para evitar um rebaixamento de oito níveis pela Fitch Ratings, afirmou a agência de classificação de risco.

“A gente simplesmente reposicionou o rating, considerando a expectativa de não haver suporte financeiro dentro do tempo que julgávamos razoável e em volume suficiente para preservar o rating,” disse Renato Donatti, da Fitch, em entrevista.

A Fitch tomou a medida incomum de rebaixar a classificação de crédito da Raízen duas vezes em um único dia, em 9 de fevereiro, reduzindo-a ao todo em oito níveis e levando-a para um patamar profundamente especulativo. No mesmo dia, a S&P Global Ratings também rebaixou a Raízen, em sete níveis.

A produtora brasileira de açúcar e etanol, uma joint venture entre a Cosan e a Shell, enfrenta juros elevados e alto endividamento. Enquanto as negociações entre seus controladores sobre uma nova injeção de capital se arrastavam sem um desfecho concreto, os títulos em dólar despencaram e a empresa contratou assessores financeiros para avaliar alternativas, aumentando as preocupações com uma possível reestruturação mais ampla.

“Se houvesse um comprometimento na forma como eles afirmaram, acredito que a companhia não teria chegado ao ponto de contratar assessores financeiros e permitir que o rating fosse rebaixado em vários notches,” disse Donatti.

O prêmio adicional exigido pelos investidores para manter os títulos supera com folga a marca de 1.000 pontos-base, patamar que muitos consideram indicativo de situação de estresse.

Os bonds reduziram as perdas nos últimos dias depois que a Raízen afirmou que seus acionistas controladores se comprometeram a aportar capital, em comunicado que acompanhou a divulgação de seu balanço no fim da semana passada.

Segundo Donatti, o que foi anunciado “não é nada diferente do que eles vêm falando há seis meses.”

A empresa e seus acionistas ainda não detalharam os planos, embora os jornais Brazil Journal e Valor Econômico tenham informado que a proposta pode prever um aporte de capital entre R$ 1,5 bilhão e R$ 3,5 bilhões por parte da Shell, além de mais R$ 1 bilhão da Cosan.

A possível venda dos ativos da Raízen na Argentina, que a companhia afirma estar perto de ser concluída, não resolveria, por si só, seus desafios relacionados à dívida, disse Donatti.

Para a Fitch, qualquer eventual melhora na classificação dependerá de um aporte de capital voltado à redução do endividamento e de maior clareza sobre o plano da companhia, já que o rating atual incorpora incertezas para os próximos 12 meses.

“A gente está muito mais preso à realidade do que a empresa é hoje. E a realidade hoje é que ela ainda está com uma estrutura de capital que a gente acha alavancada, com assessor financeiro, e a gente ainda não sabe qual vai ser o plano desse assessor financeiro,” disse Flavio Fujihira, diretor na Fitch.

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