Quatro ex-presidentes do Brasil presos desde a redemocratização deveria provocar vergonha – Noticias R7
Esquerda ou direita, todos já sentiram o gosto amargo da queda. O problema é maior que um nome: é sistêmico
No Brasil, a história recente guarda um dado incômodo: quatro ex-presidentes da República foram presos desde a redemocratização. Fernando Collor, Michel Temer, Luiz Inácio Lula da Silva e, agora, Jair Bolsonaro. Todos, é verdade, em momentos nos quais já não ocupavam o cargo mais alto do país. Mas isso muda pouco diante do peso simbólico e político dessas detenções.
A reação popular, previsivelmente, se divide em gritos e lágrimas. Nas redes, nas ruas e nos grupos de WhatsApp, quem ontem chorou, hoje comemora. E quem ontem celebrou, hoje se indigna. A prisão de um ex-presidente vira combustível para paixões, memes e ressentimentos, enquanto o Brasil, como nação, tropeça sobre os próprios escombros institucionais.
Mas é preciso perguntar: existe realmente algum vencedor nessa guerra? A prisão de um líder não redime os pecados do outro. Tampouco corrige os erros de governos passados ou apaga o histórico de escândalos que, eventualmente, marcaram as gestões. A alternância entre júbilo e revolta apenas revela o quanto nosso debate político está contaminado por torcida, e não por reflexão.
A Justiça, idealmente cega, é tratada como ferramenta quando favorece, e como perseguição quando não. Aos que hoje erguem taças pela “queda” do adversário convém lembrar: o outro lado celebrou a sua vez. E o país continuou imerso em crises, desconfiança institucional e polarização extrema.
O fato de termos quatro ex-presidentes detidos em menos de quatro décadas de democracia deveria provocar vergonha, não revanche. Deveria gerar reformas, não memes. Deveria unir, não dividir. Seja à esquerda, seja à direita, a conclusão inevitável é a de que não há vencedores quando o Estado entra em colapso moral diante de seus próprios líderes.
O que deveria ser exceção virou quase rotina. E cada novo capítulo é celebrado ou lamentado de acordo com a bandeira que se carrega – não com a consciência que se tem. No fim, a verdade é que a gente já se acostumou a viver num ciclo de ruínas institucionais e disputas mesquinhas, como se isso fosse política. Não é.
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