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Russos competem na Paralimpíada de Inverno – 06/03/2026 – Marina Izidro

Russos competem na Paralimpíada de Inverno – 06/03/2026 – Marina Izidro

Era para ser a celebração do esporte em uma arena icônica: um anfiteatro em Verona construído há 2.000 anos, palco de lutas de gladiadores. Mas o foco do mundo durante a cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos de Inverno de Milão-Cortina, nesta sexta (6), foi outro. O exílio dos atletas russos chegou ao fim.

A Ucrânia se recusou a ver os rostos sorridentes dos rivais e boicotou o desfile dos atletas, junto com outros seis países. Pela primeira vez desde Sochi-2014, eles poderão competir em Paralimpíadas sob a própria bandeira. Se ganharem ouro, ouvirão seu hino. É um aperitivo do que está por vir. Não é surpresa e, sim, tendência.

Logo depois da invasão à Ucrânia, Rússia e Belarus foram banidos da maioria das competições esportivas. Em Olimpíadas, criou-se uma suspensão parcial –um grupo menor competindo como neutro, sem bandeira ou hino. A guerra entrou no quinto ano e existe um movimento de abrir caminho para a volta deles.

A presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional) disse recentemente que atletas não podem ser afetados pelas ações de seus governos. A Rússia não estará na Copa e, para o presidente da Fifa, o banimento esportivo não atingiu nada. Desde o ano passado, a Federação Internacional de Judô permite que russos compitam sob sua bandeira.

O IPC (Comitê Paralímpico Internacional) levantou a suspensão no ano passado, mas federações internacionais a mantiveram. A Rússia apelou à Corte Arbitral do Esporte contra a Federação Internacional de Esqui e ganhou. Seis atletas russos e quatro de Belarus estão nos Jogos na Itália.

O IPC havia banido os dois países por usarem o esporte como propaganda de guerra, o que teria diminuído. Isso vai voltar, pois não existe soft power mais eficiente para regimes autoritários do que o sucesso de seus atletas.

O esporte não vive em uma bolha nem pode estar alheio ao que acontece no mundo. Ao mesmo tempo, organizações esportivas enfrentam um problema cuja solução parece impossível.

O mundo está complexo. Guerras explodem de uma hora para outra e não há um mecanismo único para decidir sanções apropriadas para cada uma delas.

Um deles, a trégua olímpica, está desmoralizado. A tradição vem da Grécia Antiga, quando guerras eram suspensas durante os Jogos para que atletas e espectadores pudessem ir e vir com segurança. O conceito foi retomado por COI e ONU nos anos 1990 e quebrado várias vezes. A Rússia invadiu a Ucrânia às vésperas das Paralimpíadas de 2022. Estados Unidos, Israel, Irã e países vizinhos seguem em conflito. Serão punidos esportivamente? De jeito nenhum. O atleta que representaria o Irã em Milão-Cortina desistiu de última hora por questão de segurança. Israel tem um competidor; os Estados Unidos, 68.

Ao mesmo tempo, se todos os atletas de nações envolvidas em conflitos forem banidos, será o fim dos eventos esportivos. Não é justo escolher uma guerra em vez de outra. Uma vida perdida em um conflito não vale mais ou menos.

Navegar em questões geopolíticas é o grande desafio de organizações esportivas hoje. Serão criticados qualquer que seja a decisão tomada. Talvez, por isso, estejam seguindo a estratégia mais segura, mesmo que nem sempre seja a mais justa: se afastar da política o máximo possível.

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