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Todos têm opinião formada, a realidade não.

Todos têm opinião formada, a realidade não.

Todos têm opinião formada, a realidade não.

Hipócrates, em seu “Livro dos Prognósticos” escreveu: “no início da minha vida médica eu acreditava em prognósticos.”  Mesmo sendo médico e pesquisador sempre tive dificuldades para compreender o aforismo do pai da medicina técnica. Ele deve ter tido seus motivos para duvidar de sua própria intuição. Não é que eu tenha passado a entender, apenas aceito. Joguei a toalha.

De fato, podemos com o que possuímos hoje podemos prognosticar a evolução típica de uma patologia lato sensu, mas não podemos prognosticar a evolução em um individuo particular. Cada sujeito tem uma forma de adoecer e de recuperar a saúde. E é isso que torna a medicina uma mistura de arte e ciência.

Mas passemos à observação do estado do mundo, aos jogos de poder atuais. Estivemos vagando sem a razão. Esqueçam a racionalidade. Encontro-me na mesma situação. O que esperar da situação atual de um mundo imerso em confusão e níveis inéditos de falta de lideranças críveis?

Talvez, mundo, você pense que nós devêssemos ficar quietos e acanhados. Eu tenho uma hipótese de desencadeante para a situação da Terra. O mundo sempre esteve na iminência do caos. Mas eis que o caos vem descendo à operacionalidade e as análises não dão conta da realidade. As democracias mostram que não conseguem enfrentar suas contradições sem recorrer a uma dose tóxica de populismo. E como dizia o filósofo: as escolhas têm consequências. Tomem, por exemplo, a guerra na qual Israel foi obrigado a submergir.Eu sei, eu sei, seria melhor que um não judeu escrevesse sobre Israel para não ser quem sabe acusado de partisã da causa. Vamos lá. Você sabe, não? Que mais cedo ou mais tarde o mundo ocidental será chamado a agir em bloco contra os agressores. Ou sucumbir a um consenso de mal-estar da barbárie e da anomia.

Na intimidade, só na intimidade aqueles que usam o álibi do sofrimento do povo palestino sabem a mentira que ostentam, a despeito de que a agonia daquelas pessoas é mais responsabilidade das lideranças bilionárias do que das massas manipuladas. Como se houvesse uma gota de veracidade nas justificativas e motivações para o massacre de 07 de outubro contra civis Israelenses no Sul de Israel. Não há. Nunca houve. E ainda que você se declare “neutro em um conflito que você não compreende muito bem.” Desta vez não haverá indulgência. Nada mais nos choca, já ouvimos de tudo. Não existe mais nenhuma célula em mim, em nossos corpos, que não saiba identificar o tamanho do retrocesso que testemunhamos tentando se impor. Mas ele tem alguns nomes que você tenta esconder a todo custo:  racismo antissemita, intolerância e perseguição religiosa.

E tú Mundo, ainda finge acreditar na bona fide (boa fé) destas lideranças? Pois vos digo: não apenas não estamos mais chocados com seu aval para que os terroristas usem a leniente complacência do Ocidente, para permitir que atrocidades difíceis de serem classificadas sejam não apenas cometidas, mas aplaudidas nas grandes ruas das cidades europeias, americanas e até aqui em conclaves da América do Sul com direito a palaque no planalto central de Pindorama.

Se estamos decepcionados com o atual poder executivo? Não estamos decepcionados estamos calejados, porque para submergir na decepção teríamos que em algum momento ter confiado que você aprenderia a lição.  Ou tu achavas mesmo que consideraríamos crível uma atitude de equilíbrio e justiça da sua parte? Ah, é verdade, ia me esquecendo  tu tens o excelso assessor chefe internacional, com alguma sorte os conselhos dele te guiarão à caverna de lava onde nem as rochas produzem eco.

Esqueça, nossa pele hoje já está curtida o suficiente para não ser ameaçada por tuas concessões hipócritas. Não cabe fazer uma pregação moral como a que Zola fez quando com coragem preternatural, e desafiando todo establishment de sua época, defendeu o capitão Dreyfuss da armação da elite militar francesa apenas porque ele era um judeu. E há uma tradição que sabe que o mundo não é obra de um acaso acéfalo.

Pode parar e consultar as bobagens eletrônicas e algoritmos, elas não vão te salvar desta vez. Sabe por que não? Porque temos uma confiança em uma força que nos excede e que foi responsável pela longeva e milenar sobrevivência em meio as turbulências. O que o mundo espera de nós já não sei. E nem me importo mais. Há uma saturação. Basta! Afirmo que nós já esperamos muito. A reciprocidade não é mais crível. É particularmente curioso que ainda te cause espanto os espetáculos mórbidos dos tiranos que governam Gaza e os feudos adjacentes. Reinos fanáticos e teocracias que fuzilam suas populações. Eles fazem isso porque é isso que são, é nisso que acreditam. Se estão ganhando a guerra da comunicação, é porque tua falta de zelo permitiu isso.

Não mundo, não tem mais nem a nem b. Você ainda não entendeu?  Eles prometeram te destruir. Eles juraram te aniquilar. Enquanto nós temos uma poderosa conexão – chamemo-la como quisermos – que filogeneticamente nos irmana aos povos que cultuam os mesmos valores. E, no final, você, Mundo, ousa dizer que ficou “chocado, com o que os inimigos da humanidade fizeram no sul de Israel ou com seus próprios povos”? E olhe que você só viu uma edição “limpa” pelos editores. Mesmo assim espero que tenha sido indigesto e estragado teu café da manhã.

CONTiNUA APÓS PUBLICIDADE

Desenvolvemos uma espécie de sexto sentido quando se trata de hipocrisia e disfarces para camuflar a neutralidade que permite que antissemitas vivam impunes em gangues poderosas nas ruas ou dentro de Palácios, enquanto os judeus dentro e fora de Israel voltaram a ficar acuados nos becos. Não mais. Sabe por quê? Porque não permitiremos. Não, esta não é uma lição de Purim, que aliás se comemora hoje, é uma resposta que nasce de entranhas exauridas de dar explicações.

Os fanáticos adeptos da escatologia precisam desaparecer para que a parte hígida do mundo respire. E, Senhores, hoje todas as minhas moléculas aprenderam que não vale a pena contemporizar. Na verdade, o tempo de contemporização acabou. Desisto de alcançar tua benévola compreensão. Tua falsa generosidade em relação aos judeus, “estes coitados” confesse que pensou, vem sendo desmascarada. Vou te dizer uma coisa, pode pegar sua misericórdia e recolhê-la ou recicla-la como papel, quem sabe, usar teu tempo ocioso até que você pense que fez alguma ação justa. Posso me antecipar: você não fez nenhuma.

Cansamos.

Hoje Israel se defende como pode dos ataques que sofreu por décadas, os bunkers estão cheios, enquanto os covardes atacam civis desarmados, e sim, também luta pela liberdade de populações acuadas pelos tiranos de turbante que ocuparam o Irã e os fanáticos que querem liquidar as minorias na Síria, exterminar os curdos no Iraque, mas isso te interesse menos hã?. Não estamos mais em modo justificativa, agora operamos na vibe é isso daí.

As coincidências podem não ser coincidências e a sorte está lançada. Quando você, Mundo, parar de aceitar acriticamente a panfletagem e dossiês contra os judeus talvez possamos juntos experimentar a liberdade. Nós, que já fomos asfixiados pelos gazes do esquecimento, em becos, guetos, masmorras e campos de concentração, voltamos e estamos agora dispostos a lutar para que todos respirem melhor.

Queiram ou não, é o que faremos.

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