‘A segurança pública é hoje a pauta principal do Brasil’, diz Helder Barbalho
Em fim de mandato, o governador do Pará, Helder Barbalho, faz um balanço direto de sua gestão com foco na segurança pública — tema que, segundo ele, domina a agenda nacional. Na conversa, ele destaca ações como as Usinas da Paz, o enfrentamento ao crime organizado em áreas fluviais e de fronteira e políticas de proteção às mulheres. Também aponta os impactos da COP-30 realizada em Belém em 2025 e ainda projeta seu futuro político, com a candidatura ao Senado.
O senhor tem destacado a queda de indicadores criminais em relação à violência feminina. O que explica esse resultado?
Temos tido o ano de 2026, até este momento, de redução importante. Estamos até agora, no final de março, com nove casos. Comparado com 2025, é uma redução muito importante. Isso não reduz a nossa preocupação. Nós instituímos políticas importantes, com ampliação forte de delegacias especializadas, uso de tecnologia, delegacia virtual e mecanismos de proteção às mulheres. Também estruturamos respostas rápidas com aplicativos que acionam viaturas próximas e criamos um batalhão específico para proteção à mulher.
No campo mais amplo da segurança pública, quais são as frentes prioritárias do Pará?
A política de segurança pública no Pará parte do princípio de que é preciso adaptar as estratégias às diferentes realidades do Estado, marcado por grande extensão territorial, áreas urbanas, regiões rurais, rios e fronteiras nacionais e internacionais. Para isso, foi feito um diagnóstico que orienta ações específicas para cada contexto, considerando desde centros urbanos até áreas ribeirinhas e de floresta. Nas cidades, a estratégia combina aumento do efetivo policial — com mais de 20 mil novos profissionais nos últimos anos — e investimentos em tecnologia, logística e armamentos para combater o crime, o narcotráfico e as facções. Ao mesmo tempo, o governo atua nas causas da violência com a criação dos “territórios da paz” (o nome oficial é Usinas da Paz), que oferecem dezenas de serviços públicos e aproximam o Estado das comunidades, fortalecendo vínculos e reduzindo a influência da criminalidade sobre esses territórios.
E qual o impacto das Usinas da Paz nos indicadores?
As Usinas da Paz têm apresentado impacto direto na redução da violência, com quedas entre 70% e 85% nos crimes violentos letais nas regiões onde estão instaladas. Atualmente, elas estão presentes na capital e na região metropolitana, e o plano do governo é expandir o programa para as 40 maiores cidades do Pará até o fim de 2026. Até agora, 24 unidades já foram entregues, com novas inaugurações previstas ainda para este ano. A estratégia urbana combina reforço do policiamento, investimentos em cidadania por meio das Usinas da Paz e uso de tecnologia, como câmeras com reconhecimento facial integradas a um centro de comando e controle. Nas áreas mais remotas, o foco é ampliar a presença física do Estado com batalhões e companhias em locais estratégicos, considerando desafios logísticos extremos, como municípios em que distritos ficam a centenas de quilômetros do centro urbano (caso específico de Altamira), exigindo estruturas descentralizadas para garantir segurança efetiva.
O combate ao chamado ‘Estado paralelo’ vem obtendo resultados no Pará?
A estratégia de segurança no Pará busca retomar territórios dominados pelo crime, mostrando à população que o Estado pode garantir direitos básicos sem a intermediação de facções ou milícias. A ideia é assegurar que moradores tenham acesso a serviços como escola, saúde, internet e gás sem precisar pagar taxas ilegais, o que só é possível com presença efetiva do poder público — algo que, segundo o diagnóstico, foi perdido ao longo do tempo com o avanço de um “Estado paralelo”.
Para reverter esse cenário, o governo aposta em ocupação e saturação dos territórios, combinando policiamento e políticas de cidadania. Os resultados aparecem nos números: o Pará saiu de mais de 4 mil crimes violentos letais em 2018 para cerca de 1.900 em 2025, uma redução superior a 50% ao longo do período. O Estado afirma ter sido o único do País a registrar queda contínua nesses índices ao longo de sete anos, indicando uma trajetória consistente de diminuição da violência.

Helder Barbalho deixará o governo para concorrer ao Senado Foto: Daniel Teixeira/Estadão Blue Studio
A COP realizada em Belém deixou qual legado concreto?
Foi uma experiência extraordinária. Mostramos ao Brasil e ao mundo que éramos capazes de realizar um evento dessa dimensão na Amazônia. Isso colocou luz sobre o desafio de conciliar preservação ambiental com desenvolvimento. O legado urbano é muito forte: investimentos em saneamento, mobilidade, qualificação profissional e turismo. Obras que levariam 30 anos foram feitas em três. Também houve um ganho enorme de autoestima da população e a consolidação de novas economias, como a bioeconomia.
O senhor pretende levar essas pautas para Brasília, caso seja eleito ao Senado?
Estou encerrando meu ciclo como governador nos próximos dias, profundamente grato por tudo que vivi. Se Deus me permitir, quero continuar colaborando com o Pará e com o Brasil na condição de senador da República. Entendo que posso contribuir com a experiência de quem governou o Estado, especialmente em temas como segurança pública, que hoje está no centro do debate nacional, além dos desafios da Amazônia, como conciliar produção, preservação e desenvolvimento.
As Usinas da Paz têm apresentado impacto direto na redução da violênciaˮ
Helder Barbalho, governador do Pará



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