Encontro Lula e Trump: Brasil e EUA discutem operações contra crime organizado e lavagem de dinheiro
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‘Territórios – Sob o Domínio do Crime’, do Globoplay, mostra como PCC e Comando Vermelho passaram a influenciar, de forma estrutural, a economia e a política do. Crédito: Reprodução | Divulgação Globoplay
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou em Washington a intenção de avançar em acordos com os EUA para combater o crime organizado e a lavagem de dinheiro. Após reunião entre Lula e Trump, Durigan destacou a cooperação aduaneira que já resultou na apreensão de armas e drogas. Lula propôs um grupo de trabalho latino-americano contra o crime e criticou a estratégia militar dos EUA, defendendo alternativas econômicas. A reunião ocorreu na Casa Branca e durou três horas.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta quinta-feira, 7, que espera avançar em novos acordos de cooperação com os Estados Unidos para operações de combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro. Ele fez as declarações em Washington, após visita de uma delegação chefiada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao chefe do Executivo norte-americano, Donald Trump.
“Tanto na parte aduaneira, quanto na parte de lavagem de dinheiro, estamos muito próximos a avançar, com novas assinaturas”, disse Durigan.

Encontro entre Trump e Lula, na Casa Branca, durou três horas. Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República
Este ano, o Ministério da Fazenda já anunciou um acordo de cooperação para troca de informações sobre contêineres entre a aduana brasileira e a americana. Isso permitiu a apreensão de mais de meia tonelada de armas irregulares e mais de uma tonelada de drogas sintéticas saídas dos EUA para o Brasil, segundo o ministro. Agora, a ideia é avançar para operações conjuntas. Algumas já estão previstas para este ano.
Durigan também destacou a importância da cooperação para combater fraudes transnacionais, como as identificadas pela operação Carbono Oculto, que identificou recursos de brasileiros no Estado americano de Delaware. “O que estamos fazendo, para além desse compartilhamento de informação, é acelerar os mecanismos para que esses recursos de brasileiros que sonegam, que fazem lavagem de dinheiro, sejam rapidamente devolvidos ao País”, disse.
Encontro de três horas
A reunião entre Lula e Trump começou por volta das 12h40 (11h40 no horário de Washington) desta quinta-feira, 7, na Casa Branca, e durou três horas. Esse foi o primeiro encontro dos dois na sede do governo americano.
Na reunião, Lula foi acompanhado pelos ministros Alexandre Silveira (Minas e Energia), Dario Durigan (Fazenda), Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Wellington César (Justiça e Segurança Pública).
Já a equipe de Trump foi composta pelo vice-presidente dos Estados Unidos, J.D Vance, pela chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, pelo representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, pelo secretário de Comércio, Howard Lutnick, e pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent.
Luiz disse que não discutiu com Trump a intenção dos EUA de que facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), sejam classificadas como terroristas.
A pauta da segurança pública é um dos grandes eixos da diplomacia trumpista para a América Latina. O governo dos EUA já declarou que as facções brasileiras são “ameaças significativas à segurança regional”. O governo brasileiro, no entanto, rejeita que as organizações criminosas sejam classificadas como terroristas por temer que a designação possa servir de pretexto para ações militares extraterritoriais dos americanos.
Lula disse que defendeu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a criação de um grupo de trabalho com todos os países da América Latina, ou até do mundo. “Eu disse a ele que estamos dispostos a construir um grupo de trabalho com todos os países da América Latina e quiçá, com todos os países do mundo, para criarmos um grupo forte de combate ao crime organizado.”
Lula disse ainda que questionou a estratégia dos EUA de combater o crime organizado com bases militares e defendeu a criação de alternativas econômicas ao crime. “Como você vai fazer um país deixar de produzir coca se você não oferece uma alternativa de algum produto que alguém possa plantar e ganhar dinheiro?”, questionou.
Na entrevista, o presidente também destacou que parte das armas que chega no Brasil sai dos EUA. “É importante saber que tem lavagem de dinheiro que é feita em Estados americanos. Se a gente colocar a verdade na mesa e criarmos um grupo de trabalho para trabalharmos juntos, poderemos resolver em décadas aquilo que não resolveu em séculos”, afirmou.



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