Brasil precisa de lideranças com ‘fanatismo’ e ‘obsessão’ por melhorar a educação, diz Denis Mizne
Brasil precisa de lideranças com ‘fanatismo’ e ‘obsessão’ por melhorar a educação, diz especialista
Para Denis Mizne, CEO da Fundação Lemann, a resolução de problemas na educação passa pelo estabelecimento da área como uma prioridade do próximo governo. Crédito: Bruno Nogueirão
O CEO da Fundação Lemann, Denis Mizne, defendeu a necessidade de eleger como presidente alguém fanático e obcecado por educação. A declaração ocorreu nesta quinta-feira, 11, durante o segundo encontro do Brasil Adiante, série de eventos promovida pelo Estadão até agosto (veja o cronograma ao final do texto).
“Se não tiver um fanatismo em educação por parte da maior liderança política do País, o Brasil não vai dar um salto. Precisamos de líderes obcecados em resolver os problemas da educação”, alertou Mizne no debate.
Ele destacou que “vontade política se cria”. Por isso, mesmo que a educação não seja a prioridade do governante, é preciso que “a sociedade civil exija esse fanatismo” deles.
O Brasil Adiante busca apresentar medidas concretas para os principais problemas nacionais. As soluções serão consolidadas em um documento que será entregue em novembro ao vencedor do pleito.
Elevar a meta de alfabetização para 100% até 2030
Atualmente, a meta do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada é atingir 80% até 2030. Mas, para o CEO da Fundação Lemann, é necessário elevar esse objetivo. “Precisamos subir a barra, chegar a 100% até 2030 e garantir que erradicamos o analfabetismo escolar até o final da próxima gestão.”
Em 2019, 55% dos estudantes do 2º ano da rede pública avaliados pelo MEC eram considerados alfabetizados. Mas o índice retraiu com a pandemia: passou para 49% em 2021. Por isso, em 2023, foi criado o CNCA. Naquele ano, o índice já subiu para 56%. Em 2025, último ano com dados disponíveis, o Indicador Criança Alfabetizada (ICA) saltou para 66%.
O presidente da Fundação Lemann aponta que, para esses resultados, foi necessária a união entre diferentes estratégias, baseadas em ações que já haviam dado certo em governos estaduais, como no Ceará.

O presidente da Fundação Lemann, Denis Mizne, durante o Brasil Adiante desta quinta-feira. Foto: Tiago Queiroz/Estadão
“O governo federal oferece aos municípios material didático e formação de professores para alfabetização. Depois, cria uma prova (ICA) necessária para receber a formação e o material de graça. Também cria uma premiação com base no resultado da prova, em que os melhores municípios recebem dinheiro. Ainda tem uma cerimônia do prêmio com o presidente, governadores e prefeitos, e incentivos no orçamento”, diz Mizne.
Só com a implementação das medidas em conjunto, afirma, é possível obter o resultado. “Você pode dar o bônus financeiro que quiser. Mas não terá resultado nenhum sozinho.”
Para ele, é necessário também replicar esse mesmo modelo para a matemática.
Tecnologia nas escolas
Mizne ainda aponta que o governo federal deveria coordenar uma plataforma capaz de reunir dados de matrículas, estudantes e professores. “Tinha que ter o Pix da gestão educacional”, afirmou. A iniciativa facilitaria a gestão das redes de ensino e já existem esforços em andamento nessa direção.
Nas escolas, ele frisa que a inteligência artificial, por si só, não resolverá os desafios educacionais. “A gente olha para esse negócio e pensa: ‘agora vai, o problema está resolvido’. E não vai.” Segundo ele, para que a tecnologia produza resultados, é preciso que sua implementação seja planejada com foco em impactos concretos na aprendizagem.
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Na avaliação do especialista, o programa de alfabetização do governo federal, que tem como meta a erradicação do analfabetismo até o final da década, não pode ser interrompido. Além disso, na avaliação do especialista, as metas da iniciativa devem ser elevadas. Segundo Mizne, a proficiência em matemática deve ser estimulada tanto quanto a alfabetização.
O CEO da Fundação Lemann ainda reflete que o ensino técnico tem crescido rapidamente no País, impulsionado por incentivos financeiros e programas de estímulo à matrícula. Houve uma mudança importante, diz ele, na percepção das famílias e dos estudantes. “Esses jovens estão querendo concretudes.”. Para ele, o avanço é positivo, mas precisa vir acompanhado de critérios mais rigorosos. “Tem que ter critérios mais duros, avaliar com mais qualidade e garantir que o curso faz sentido e está sendo efetivamente entregue.”
Veja o cronograma do Brasil Adiante
- 27 de maio: Encontro 1: Eixo I: Estabilidade Institucional e Fundamentos do Crescimento (veja como foi);
- 11 de junho: Encontro 2: Eixo II: Capital Humano e Coesão Social (Educação e Saúde);
- 23 de julho: Encontro 3: Eixo II: Capital Humano e Coesão Social (Segurança Pública e Crime Organizado);
- 19 de agosto: Encontro 4: Eixo III: Produtividade, Infraestrutura e Sustentabilidade;
- 27 de agosto: Encontro 5: Apresentação do documento consolidado, divulgação da agenda e fechamento do projeto;
- Novembro: Entrega da agenda de soluções ao presidente eleito.



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