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‘É preciso combater as máfias em todos os cenários de suas atividades’, diz procurador italiano

‘É preciso combater as máfias em todos os cenários de suas atividades’, diz procurador italiano

‘Facção mais perigosa da América do Sul’

Nos 20 anos desde os ataques de maio de 2006, organização criminosa se tornou um dos mais importantes atores do tráfico internacional de cocaína. Crédito: Edição: Júlia Pereira

 ‘É preciso combater as máfias em todos os cenários de suas atividades’, diz procurador italianoFoto: Werther Santana/Estadão

Giovanni BombardieriProcurador Distrital Antimáfia de Turim

Leia a seguir a entrevista.

Como o senhor analisa a decisão do Tribunal de Turim? As condenações satisfizeram o que havia sido pedido pela acusação?

O processo de primeiro grau, segundo as normas do rito judiciário abreviado e concluído recentemente em Turim, tratou de quase todos os acusados que foram alvo de medidas cautelares na Operação Samba, deflagrada em conjunto com as autoridades brasileiras em 10 de dezembro de 2024. O julgamento com a sentença de 10 de março de 2026 substancialmente confirmou o quadro acusatório reconstruído pela Direção Distrital Antimáfia, em particular, tanto em relação ao delito de associação criminosa transnacional com o fim de tráfico de drogas quanto em relação à circunstância agravante (delito de tipo mafioso) para os imputados julgados, acusados de terem agido com a finalidade de favorecer a ‘Ndrangheta na articulação de Volpiano e San Giusto Canavese (cidades da região do Piemonte, no norte da Itália).

Foram condenados, também a penas pesadas (um acusado foi condenado a 18 anos de prisão, pena reduzida a um terço em razão do rito abreviado), todos os acusados desse primeiro processo com exceção de uma acusada, que foi absolvida, mas ela não respondia por crime de associação para prática de crimes.

O senhor ficou satisfeito?

Um dado importante é que foi também reconhecida a circunstância atenuante especial da colaboração com a Justiça em favor do imputado Vincenzo Pasquino e de outro acusado Enrico Castagnotto, que, no curso das investigações iniciou, também ele a colaborar com a procuradoria. Portanto, seguramente, só posso estar satisfeito com essa primeira manifestação da Justiça, que reconheceu a boa qualidade do trabalho dessa Direção Distrital Antimáfia.

O senhor considera que, diante da união das organizações criminosas para o tráfico de drogas, como o PCC e o ‘Ndrangheta, a Operação Samba indicou um caminho para o futuro da luta contra o narcotráfico e a criminalidade organizada?

Certamente, a operação chamada Samba constituiu um exemplo do quanto seja importante a colaboração internacional investigativa entre as autoridades dos dois Estados, Itália e Brasil. O trabalho investigativo desenvolvido em colaboração, graças ainda à Equipe Conjunta de Investigação, é certamente o caminho que se deve seguir para enfrentar o narcotráfico internacional.

A realização simultânea de investigações – seja nos estados da América do Sul, onde as organizações mafiosas italianas se abastecem de grandes quantidades de substâncias entorpecentes, seja na Itália, país para o qual aquelas grandes quantidades são destinadas –, com a troca de informações em tempo real dos resultados das respectivas apurações, só pode ser considerado o modelo investigativo a ser seguido no futuro.

Não se pode enfrentar as organizações criminosas mafiosas que se ocupam do narcotráfico combatendo-as apenas em uma margem, é preciso agredi-las simultaneamente em todos os cenários nas quais suas atividades criminosas se desenvolvem, tanto na América do Sul como na Europa, e, em relação a nós, na Itália. A Operação Samba constituiu certamente um modelo investigativo a ser aperfeiçoado e seguido.

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