IA chega às diretorias de empresas, mas ainda não toma decisões
Taiza Krueder, CEO do Clara Resorts, para quem a IA é uma ferramenta valiosa, mas que ainda não pode decidir sozinha – Foto: reprodução
Em novembro, Sam Altman disse que empresas inteiras controladas por inteligência artificial, inclusive no cargo de CEO, estão “a poucos anos de distância” e que “seria uma vergonha” se a OpenAI não fosse a primeira grande empresa dirigida por um CEO de IA. O líder da criadora do ChatGPT é conhecido por suas declarações polêmicas, quase sempre ditas para valorizar ainda mais o seu produto. Mas essa especificamente pode levar a reflexões interessantes sobre como essa tecnologia pode ajudar a direção de empresas e onde ela não deve ser usada.
Ainda não temos nada na escala sugerida por Altman, mas a IA já está sendo usada de formas criativas como uma ferramenta de apoio à tomada de decisões de alto nível, inclusive no Brasil. Um exemplo pode ser visto no grupo Clara Resorts, em que sua CEO, Taiza Krueder, está criando avatares de si mesma para apoiar sua equipe e até para representá-la em reuniões em que não possa comparecer.
“Os avatares serão utilizados em reuniões de comitês, briefings ou apenas para consultas”, explica Krueder. Mas, apesar de ser uma entusiasta de tecnologias digitais, ela não os coloca no nível sugerido por Altman. “Eles sempre serão acompanhados de pessoas e, por enquanto, serão usados mais de maneira colaborativa e consultiva, sem poder de decisão”, detalha.
Os avatares da executiva estão sendo treinados com conteúdos que ela mesma produz regularmente para sua coluna em uma revista de negócios e para publicações frequentes em redes como o LinkedIn. Ela também é autora de três livros, que foram incluídos no treinamento da plataforma. Segundo a executiva, após o treinamento inicial, o sistema será refinado com o uso cotidiano e com o avanço da própria tecnologia.
“Sou próxima do meu time, e gosto de estar disponível para apoiá-los, mas, com o crescimento dos meus hotéis, o meu tempo ficou mais escasso”, diz Krueder. “Por isso, a ideia é o avatar participar de reuniões diversas, revezando comigo.”
Isso não quer dizer que o avatar tomará as decisões. Para ela, “é um pouco cedo para delegarmos 100% das decisões para IA ou agentes”. A executiva afirma não imaginar seus hotéis administrados por máquinas, mas empoderados por elas. “Concordo que precisamos de limites claros até onde podemos ir com a IA sem supervisão”, acrescenta.
Krueder está atenta ao erro mais comum de executivos que investem muito em inteligência artificial e não colhem os resultados esperados, o que ainda acontece na maioria dos casos. “Para adotar uma nova tecnologia, temos de ter claro qual o problema que queremos resolver e quais as soluções esperadas dela”, alerta.
Para ela, a grande força da IA reside em “ajudar a fazer tarefas repetidas, burocráticas, chatas, das quais não gostamos”, para que tenhamos mais tempo livre para o que nos traz satisfação. “Gosto de comparar que as IAs têm muito QI, são imbatíveis na quantidade de dados que conseguem analisar, por exemplo, e nós, seres humanos, temos muito QE, a nossa criatividade, sensibilidade, conectividade são características difíceis para uma máquina replicar e isso é o que nos torna humanos.”
A inteligência artificial na tomada de decisões da direção não é a única aplicação tecnológica nos seus negócios. Os hotéis já adotam totens de autosserviço para check-out, por exemplo. Segundo ela, isso não diminuiu o número de recepcionistas, que agora têm mais tempo para cuidar do ambiente da recepção e de conversar com os hóspedes.
A IA também aparece nas piscinas, na nova geração de robôs que as limpam. As máquinas já fazem esse trabalho há mais de 15 anos, mas agora estão ganhando mais autonomia, liberando os piscineiros para outras tarefas, como arrumar cadeiras e toalhas, controlar a qualidade da água e cuidar dos hóspedes.
A IA também é usada pela área de marketing, para desenvolvimento de campanhas, acompanhamento de performances e briefings para a agência. O time da recepção também usa a tecnologia para melhorar a experiência do cliente, e o chatbot de reservas é alimentado por IA.
“Mas reforço: mesmo assim, temos sempre humanos por trás de todos os detalhes”, conclui Krueder.



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