×

Justiça cobra definição da Câmara de Campo Grande sobre nova eleição da Mesa Diretora

Justiça cobra definição da Câmara de Campo Grande sobre nova eleição da Mesa Diretora

Justiça cobra definição da Câmara de Campo Grande sobre nova eleição da Mesa Diretora

A Justiça de Mato Grosso do Sul exigiu providências relacionadas à anulação da eleição antecipada da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Campo Grande e à marcação de um novo pleito para o biênio 2027/2028. A cobrança ocorre em meio ao desgaste na imagem do Legislativo municipal, que enfrenta forte reprovação popular.

Um despacho publicado no Diário da Justiça desta quarta-feira (29) determinou o prazo de 10 dias para o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) se manifestar. O órgão deverá avaliar a necessidade de estabelecer um prazo para que a Câmara declare formalmente nula a votação realizada em julho de 2025 e convoque um novo pleito, conforme acordo firmado com o próprio MP.

Pendências no acordo judicial

O juiz Eduardo Lacerda Trevisan apontou que a Casa de Leis cumpriu apenas uma das três obrigações do termo de compromisso, que foi a alteração do artigo 17 do Regimento Interno. A regra atual estabelece que a escolha da Mesa ocorra exclusivamente entre outubro e dezembro do último ano do primeiro biênio.

Continuam pendentes a declaração formal de nulidade da votação antecipada e a convocação de uma nova disputa. Como o documento assinado pelas partes não fixou prazo para essas ações, o magistrado aguardarão o posicionamento do MPMS antes de emitir nova decisão.

Diferença de entendimentos

O presidente da Câmara, vereador Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), tem interpretação divergente e argumenta que a mudança regimental cumpre o acordo firmado no Centro de Autocomposição de Conflitos e Segurança Jurídica (Compor).

Para o parlamentar, não é necessária a edição de um ato específico para anular a eleição de julho de 2025. Papy sustenta que os integrantes escolhidos para o biênio 2027/2028 nunca tomaram posse e que o grupo jamais produziu efeitos práticos.

Apesar disso, o texto do acordo entre o Legislativo e o MPMS determina expressamente que a anulação do pleito antecipado preceda a realização de uma nova votação.

Crise de credibilidade e impactos

O impasse judicial coincide com um momento de baixa popularidade da Câmara Municipal. Pesquisas de opinião divulgadas neste ano indicam que cerca de 75% dos entrevistados desaprovam o desempenho dos vereadores na capital sul-mato-grossense.

A Casa também acumulou polêmicas recentes envolvendo debates sobre gastos públicos, críticas à aprovação de benefícios financeiros ao Consórcio Guaicurus e questionamentos sobre o andamento de matérias de interesse público.

A Justiça ainda não apontou descumprimento do acordo. Caso a queixa seja formalizada pelo MPMS e confirmada pelo Judiciário, novas medidas poderão ser aplicadas para garantir o cumprimento das regras do novo Regimento Interno.

Continua em vigor a liminar que suspende os efeitos da disputa de julho de 2025. A decisão preserva o mandato atual do presidente Papy até o final de 2026, mas deixa em aberto a liderança administrativa da instituição para o biênio 2027/2028.

Com informações de: pautadiaria.com.br.

Publicar comentário