O ex-banqueiro Daniel Vorcaro negou categoricamente ter obtido informações privilegiadas do Banco Central (BC) ou oferecido vantagens a servidores da autoridade monetária. A declaração foi feita durante depoimento prestado à Polícia Federal no final de agosto, conduzido pelo delegado federal Albert Paulo Sérvio de Moura, que interrogou o investigado por mais de três horas.
Durante a oitiva, Vorcaro foi questionado sobre capturas de tela contendo trocas de mensagens com ex-dirigentes do BC, incluindo o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, Belline Santana, e o ex-diretor de fiscalización, Paulo Sérgio Neves. Questionado sobre eventual transferência de valores ou bens, o ex-banqueiro negou qualquer vantagem econômica direta.
Sobre a relação com Belline Santana, Vorcaro explicou que o contato teve caráter institucional, mas admitiu interesse em apoiar um projeto social liderado pelo ex-servidor voltado à inclusão de pessoas negras no mercado financeiro global. Segundo ele, o tema foi debatido após reuniões ocorridas entre o fim de 2023 e 2024, levando-o a pedir que seu cunhado avaliasse o desenvolvimento da iniciativa.
O interrogatório também abordou serviços de marketing e concierge custeados pelo banco nos Estados Unidos e na Europa. Vorcaro confirmou que a instituição mantinha uma estrutura voltada a esse tipo de atendimento, oferecida de forma rotineira a dezenas de conhecidos, e admitiu ter disponibilizado o serviço de concierge na Disney como um agrado a Paulo Sérgio Neves e sua família.
Questionado sobre as tratativas de venda do Banco Master para o BRB, o ex-banqueiro afirmou que a diretoria e a presidência do Banco Central mantiveram uma postura constante de incentivo e busca por soluções para concluir a fusão. Ele relatou que só percebeu a liquidação como caminho inevitável após a negativa da operação e sua primeira prisão, momento em que passou a buscar investidores nos Emirados Árabes Unidos.
Por fim, o delegado questionou o ex-banqueiro sobre mensagens trocadas antes de sua prisão que citavam figuras de destaque da República, como Gabriel Galípolo, Andrei Rodrigues e Paulo Gonet. Vorcaro afirmou não se lembrar de detalhes específicos dos diálogos sem uma análise aprofundada e ressaltou que as conversas tratavam de transações e articulações de mercado com empresas de investimento.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
