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Empresa digitalizou só 9% de prontuários na Santa Casa, mas recebeu 11 vezes mais

A Redvalue Tecnologia digitalizou apenas 9% das páginas de prontuários da Santa Casa, mas recebeu o valor integral de R$ 2,1 milhões. O caso é investigado na Operação Antidotum.

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Empresa digitalizou só 9% de prontuários na Santa Casa, mas recebeu 11 vezes mais

A empresa Redvalue Tecnologia, Administração e Serviços digitalizou apenas 9% das páginas de prontuários da Santa Casa de Campo Grande, mas recebeu o valor total integral pelo serviço contratado. Em um período de 14 meses, entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026, dados apontados pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) revelam que a empresa investigada transformou apenas 3.818.695 páginas de papel em arquivos digitais, ficando muito distante da meta pactuada de 42 milhões de páginas.

Apesar da baixa produtividade registrada, a companhia embolsou mês a mês o valor total de R$ 2,1 milhões. Conforme os cálculos do Gecoc, o correto pela produção efetiva seria o pagamento de apenas R$ 190.934,75. O relatório aponta que a capacidade estimada mensal prevista era de 3 milhões de páginas, parâmetro que justificava o repasse mensal fixo de R$ 150 mil, que continuou sendo pago sem a correspondente execução dos serviços.

As informações constam no pedido de prisão conjunto elaborado pela 29ª Promotoria de Justiça de Campo Grande e pelo Gecoc. A investigação detalha as ações do esquema e aponta o papel crucial da presidente da Santa Casa, Alir Terra Lima, que assumiu o comando da instituição em fevereiro de 2023, na manutenção irregular do contrato mesmo após recomendações contrárias do Conselho Fiscal do hospital.

O documento aponta que o Conselho Fiscal havia recomendado a suspensão imediata do serviço de digitalização devido à constatação de irregularidades, ordem que não foi acatada pela presidente. Além disso, ao prestar esclarecimentos à 32ª Promotoria de Saúde, Alir Terra tentou justificar as vantagens da contratação mencionando falsamente a existência de outros sistemas que seriam entregues pela empresa, mas que não guardavam relação com o objeto investigado.

O esquema de dissimulação também envolvia funcionários do Same (Serviço de Arquivo Médico e Estatística). A supervisora Monique Gregório, o fiscal Alessandro Dias Junqueira e o gestor Rinaldo Romano teriam atestado falsamente que os objetivos do contrato estavam sendo atingidos. Os três figuram entre os presos na Operação Antidotum, junto com a presidente da instituição e com o empresário Maurício Aparecido Benites, dono da Redvalue.

A investigação revelou ainda que a contratação inicial foi realizada sem estudos técnicos preliminares ou pesquisas de mercado legítimas. A juíza do Núcleo de Garantias, May Melke Amaral Penteado Siravegna, autorizou as prisões e mandados de busca e apreensão após constatar que as empresas utilizadas para a cotação de preços de fachada possuíam vínculos diretos com o proprietário da empresa contratada.

Fonte: www.campograndenews.com.br

Escrito por

Jeder Fabiano