A renúncia ao cargo de vice-presidente da Santa Casa de Campo Grande, ocorrida em janeiro deste ano, acabou livrando o engenheiro Jary Carvalho de Castro de ser preso durante a Operação Antidotum. A ação investiga um esquema de fraudes milionárias em contratos firmados com a instituição de saúde.
Em uma das passagens destacadas na investigação conduzida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o então vice-presidente garantiu que “a caneta está com a gente”, reforçando o poder decisório e centralizado sobre as contratações da entidade hospitalar.
O MPMS chegou a solicitar formalmente a decretação da prisão preventiva de Jary Carvalho de Castro. No entanto, a juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias, negou o pedido sob a justificativa de que faltavam elementos contemporâneos que comprovassem a necessidade da custódia.
Conforme destacou a magistrada na decisão, Jary de Castro desvinculou-se da administração da Santa Casa sete meses antes da formulação do pedido de prisão, que ocorreu em agosto. Para a Justiça, não foram apresentados dados concretos de que ele ainda exerça influência sobre a atual gestão ou capacidade de interferir na produção probatória.
No relatório da operação, o ex-dirigente — que também já presidiu o Crea-MS — é associado a um contrato com a empresa Redvalue Tecnologia, Administração e Serviços Ltda, formalizado para a digitalização de prontuários. Segundo o MPMS, o negócio foi fechado sem estudos técnicos, termos de referência ou análises de viabilidade.
A investigação aponta que a empresa deveria ter recebido cerca de R$ 190,9 mil pelos serviços prestados, mas o montante repassado chegou a R$ 2,1 milhões. A defesa dos investigados e da empresa alvo da operação informará sua posição nos autos do processo à medida que os trâmites judiciais avançarem.
Fonte: www.campograndenews.com.br
