A fibromialgia é descrita frequentemente como uma dor invisível por não apresentar lesões aparentes, quedas ou marcas físicas visíveis, mas é capaz de causar um sofrimento profundo e generalizado em quem a vivencia. A condição, que afeta milhões de brasileiros, costuma se manifestar por meio de fadiga intensa, distúrbios do sono, dificuldade de concentração e uma sensibilidade acentuada ao toque.
De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), a síndrome atinge entre 2% e 3% da população do país, o que representa uma faixa estimada de 4,2 milhões a 6,3 milhões de pessoas. O perfil mais acometido é o de mulheres com idade entre 30 e 60 anos, cujos corpos muitas vezes refletem anos de sobrecarga física e estresse acumulado.
O caminho até o diagnóstico costuma ser longo e repleto de obstáculos, uma vez que não existem exames laboratoriais ou de imagem capazes de comprovar a doença de forma isolada. O reconhecimento clínico baseia-se na avaliação do padrão e da duração dos sintomas, o que frequentemente resulta em diagnósticos tardios e no descrédito por parte de profissionais que associam erroneamente as queixas a quadros estritamente psicológicos.
Especialistas apontam que o preconceito e o viés estrutural na área da saúde impactam diretamente o tratamento, com relatos de que mulheres negras enfrentam barreiras adicionais devido a mitos históricos infundados sobre a tolerância à dor. Essa dinâmica reforça a necessidade de um olhar humanizado e atento por parte da rede médica para evitar a negligência de sintomas graves.
No âmbito legislativo e de políticas públicas, o atendimento multifatorial ganha relevância com iniciativas voltadas para garantir suporte multidisciplinar, exames e acesso a medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Contudo, os desafios operacionais ainda são expressivos, especialmente fora dos grandes centros urbanos, onde a escassez de equipes interdisciplinares e especialistas dificulta o acompanhamento contínuo dos pacientes.
O tratamento da fibromialgia exige uma abordagem individualizada que vai além da medicação analgésica. Ele engloba a prática regular de atividades físicas de baixo impacto, como hidroginástica e caminhada, suporte psicoterápico, além de medidas de higiene do sono para auxiliar no controle das crises e na melhoria da autonomia e da qualidade de vida dos pacientes.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
