A postura da esquerda e de setores do Partido dos Trabalhadores (PT) em demonstrar apoio incondicional ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pode cobrar um preço eleitoral alto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação aponta que a comemoração de bate-bocas no plenário, como se fosse uma torcida organizada, reforça no eleitor médio a impressão de que a gravidade das acusações contra o magistrado está sendo ignorada pela base governista.
Dados recentes de pesquisas da Quaest mostram que a corrupção retornou ao posto de segunda maior preocupação da população brasileira, ficando atrás apenas da segurança pública. É nesse contexto sensível que o debate sobre o tráfico de influência dentro do STF ganha força. Se o eleitorado bolsonarista já demonstrava descrédito em relação à Corte, a parcela do eleitorado sem fortes laços ideológicos — que costuma decidir os pleitos — pode mudar de percepção e se afastar do governo caso não veja nos aliados a mesma indignação diante dos escândalos.
Conversas cotidianas em diferentes camadas sociais refletem a centralidade do tema nas discussões públicas. Embora o timing das ações de André Mendonça seja interpretado por alguns como tentativa de interferência na disputa eleitoral, a fatura política tende a ser direcionada a Lula pela falta de uma postura firme a favor de investigações sobre Moraes.
Mesmo que o próprio presidente não figure diretamente como alvo das denúncias, o mesmo escrutínio recai sobre seus familiares, a exemplo de seu filho. Movimentos como o pedido de vista do ministro Flávio Dino, de alinhamento ideológico à esquerda, alimentam o debate público e aumentam a pressão sobre a estratégia eleitoral do PT.
Críticas severas à condução institucional também foram pontuadas no cenário político, com menções ao descumprimento de princípios republicanos e códigos históricos de atuação. A crise evidencia o descompasso entre a base aliada e o sentimento das ruas, demonstrando que a insistência em blindar figuras envolvidas em polêmicas pode resultar em pesada cobrança nas urnas.
Dessa forma, a miopia política de apoiar figuras centrais em crises institucionais sem avaliar o desgaste perante o eleitorado moderado representa um risco considerável. A falta de leitura do humor popular pela esquerda pode custar caro no momento decisivo da escolha presidencial.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
