Produtores rurais do Rio Grande do Sul alertam ao governo federal que começam a enfrentar sérias dificuldades para encontrar óleo diesel no interior do estado, revivendo temores de uma crise semelhante à observada no início do conflito no Irã. De acordo com o setor produtivo, a escassez e a disparada nos preços do combustível ameaçam diretamente o cronograma de plantio das safras de arroz e de soja na região.
O cenário é ilustrado pelo relato de agricultores locais. Fernando Rechsteiner, produtor situado em Pelotas e diretor da Farsul (Federação dos Agricultores do Rio Grande do Sul), afirmou que não conseguiu adquirir o insumo necessário para suas atividades cotidianas, destacando que o tipo S-500 estava em falta e que o S-10 já era comercializado a R$ 6,90 o litro.
A preocupação com o abastecimento ganha urgência devido ao período agrícola. Os produtores iniciam neste momento o plantio de arroz e a preparação do solo para a soja, cuja semeadura ocorre em outubro. O quadro é agravado pelas previsões de que o fenômeno El Niño intensifique o volume de chuvas no estado, reduzindo drasticamente a janela ideal para a realização do plantio.
Diante da situação, a diretoria da Farsul encaminhou ofícios formais à ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) e ao MME (Ministério de Minas e Energia). O presidente da entidade, Domingos Antônio Velho Lopes, relatou que diversas regiões e culturas no interior do estado sofrem com aumentos expressivos nos valores e com pedidos de compra negados pelos fornecedores.
Por sua vez, a ANP informou que manteve contato com os representantes gaúchos, mas ressaltou que os dados repassados pela Petrobras e pelas empresas distribuidoras apontam que as entregas dos volumes contratados continuam ocorrendo dentro da normalidade. Representantes do mercado de combustíveis avaliam que o problema ainda tem caráter pontual, mas admitem apreensão diante do agravamento das guerras no Irã e na Ucrânia.
Especialistas do setor explicam que a escassez atual atinge com mais força os consumidores do mercado de curto prazo, que não possuem contratos firmados com as grandes distribuidoras ou com a estatal e acabam dependendo de empresas conhecidas como TRR (transportador e revendedor retalhista). Esse segmento está mais vulnerável às importações privadas, que perdem rentabilidade em virtude da elevada defasagem entre os preços praticados pela Petrobras e as cotações internacionais do petróleo.
Fonte: c-level.folha.uol.com.br
