Um relatório contundente divulgado pela Anistia Internacional aponta que as autoridades iranianas cometeram crimes contra a humanidade durante a violenta repressão aos protestos que eclodiram no país em setembro de 2022. O movimento, que ganhou força sob o lema “Mulher. Vida. Liberdade”, representou uma das maiores contestações ao regime nos últimos anos.
De acordo com a organização de direitos humanos, a resposta estatal aos atos incluiu uma série de atrocidades sistêmicas, tais como assassinatos, atos de tortura, violência sexual e desaparecimentos forçados. O documento detalha que essas ações foram direcionadas a sufocar o levante popular que tomou as ruas iranianas.
O levantamento aponta diretamente 87 autoridades, abrangendo tanto esferas nacionais quanto regionais, como os principais responsáveis na cadeia de comando que articulou e executou a repressão. Para a secretária-geral da Anistia Internacional, Agnès Callamard, as evidências coletadas e analisadas não deixam margem para dúvidas sobre a gravidade dos abusos cometidos.
Durante o ápice das manifestações de 2022, pelo menos 326 pessoas perderam a vida em decorrência da ação das forças de segurança. Entre as vítimas citadas está Minoo Majidi, uma mulher de 62 anos atingida mortalmente por esferas de metal durante uma marcha realizada na cidade de Kermanshah, situada no oeste do território iraniano, em setembro daquele ano.
A organização ressalta que, embora o foco central tenha sido a luta pela autonomia e direitos das mulheres, o escopo dos protestos englobava reivindicações mais amplas por liberdade individual e pelo direito fundamental à vida. Os atos de 2022 só viriam a ser superados em magnitude pelas manifestações ocorridas no início de 2026, impulsionadas pela crise no custo de vida.
Diante da gravidade das conclusões apresentadas, a Anistia Internacional apelou formalmente à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) para que seja instituído um mecanismo internacional de justiça penal. O objetivo dessa estrutura seria investigar e processar criminalmente os principais mandantes e executores apontados no relatório.
Fonte: noticias.uol.com.br
