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Foi com os hippies que Aldo aprendeu a transformar sua arte

Artista e professor Aldo Torres transforma galhos e madeiras descartadas nas ruas em esculturas detalhadas, rejeitando o conceito de reciclagem em prol de uma segunda oportunidade.

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Foi com os hippies que Aldo aprendeu a transformar sua arte

Antes de ganhar forma nas mãos de Aldo Torres, muita coisa poderia simplesmente passar despercebida. Apenas objetos encontrados pelo caminho e materiais sem função aparente entraram no repertório do artista como matéria para criação de esculturas singulares que carregam sua própria essência.

Aos 45 anos, o professor de arte natural de Bela Vista (MS) carrega para as suas obras um olhar construído longe dos espaços tradicionais de exposição e muito próximo da vivência de quem aprendeu a produzir e vender arte diretamente nas ruas. Essa trajetória começou a se desenhar na adolescência, quando o irmão deixou a casa da família para seguir a vida como desenhista, despertando em Aldo a urgência de conquistar independência por meio de uma habilidade própria.

O aprendizado não veio de cursos formais ou de ateliês estruturados, mas do contato direto com hippies e artesãos que circulavam pelas cidades produzindo peças com o que estava ao alcance das mãos. Nesse ambiente, ele aprendeu a confeccionar brincos, pulseiras e acessórios com sementes, percebendo rapidamente que precisava encontrar uma linguagem diferente para se destacar em meio a dezenas de outros produtores nas calçadas.

A guinada para a escultura aconteceu em 2002, quando experimentou trabalhar com a goiabeira, uma madeira mole e de cor clara que facilitava o corte com ferramentas simples e permitia o uso de pigmentos naturais como o urucum. Dois anos depois, mudou-se para Campo Grande, consolidando a técnica como o cerne de sua produção artística e mantendo vivas as referências do seu aprendizado callejero.

Embora utilize materiais que poderiam ser descartados, Aldo rejeita veementemente o rótulo de reciclagem para o seu trabalho. Para ele, o foco está em enxergar novas possibilidades e conceder uma segunda oportunidade a pedaços de madeira tortos ou ignorados, comparando o processo à ajuda que recebeu no passado de um grupo de mais de 20 pessoas para realizar sua primeira exposição em 2009 e ingressar na faculdade de artes da UFMS.

Com um acervo de aproximadamente cem obras criadas com galhos recolhidos em praças, avenidas e margens de córregos, o artista preserva com orgulho suas origens como artesão de rua. Entre suas criações mais marcantes estão peças de forte apelo afetivo, como a escultura inspirada em seu avô descansando na rede, construída inteiramente com fragmentos de eucalipto e limoeiro que ganharam nova vida através do seu olhar.

Fonte: www.campograndenews.com.br

Escrito por

Jeder Fabiano