A prefeitura de Porto Seguro, no litoral sul da Bahia, implementou uma estratégia emergencial para conter o avanço do peixe-leão (Pterois volitans), espécie invasora que ameaça o ecossistema marinho local. Como parte das medidas adotadas, o município passou a pagar o valor de R$ 10 por cada exemplar do animal capturado e entregue diretamente à colônia de pescadores Z-22.
Originário da região indo-pacífica, o peixe-leão não possui predadores naturais nas águas brasileiras, o que eleva exponencialmente o seu potencial de predação e ocupação dos habitats. Além do desequilíbrio ambiental provocado nas espécies nativas, o animal representa riscos diretos à saúde humana, uma vez que seus espinhos inoculam toxinas capazes de causar fortes dores, vermelhidão, febre e quadros graves de convulsão.
A preocupação das autoridades ambientais no Extremo Sul baiano é amplificada pela riqueza ecológica da região, que abrange áreas de extensa plataforma continental, proximidade com os bancos Royal Charlotte e o arquipélago de Abrolhos. O local abriga variados ambientes recifais, bancos de rodolitos e uma rica biodiversidade de peixes e invertebrados marinhos.
Especialistas apontam que a detecção precoce e a remoção ágil dos indivíduos são fundamentais para mitigar os danos da invasão. O programa temporário de incentivo financeiro busca engajar pescadores locais, que detêm amplo conhecimento geográfico da área, permitindo também a coleta de espécimes para pesquisas científicas conduzidas em parceria com a Universidade Federal do Sul da Bahia.
Formalizada por meio de um plano municipal lançado em agosto, a iniciativa articula esforços entre pastas de Meio Ambiente, Pesca, Turismo e Saúde, além de instituições de ensino, operadores de mergulho e órgãos de fiscalização. Unidades de conservação de proteção integral, como o Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora, intensificaram o monitoramento e o treinamento de profissionais para a remoção segura dos invasores.
A gestão municipal planeja substituir gradualmente o pagamento direto por uma cadeia produtiva sustentável voltada ao consumo e comercialização do peixe-leão, garantindo protocolos adequados de segurança. A meta de longo prazo não é a erradicação total, que é considerada inviável, mas sim a manutenção da pressão de retirada contínua para proteger a biodiversidade marinha regional.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
