O Supremo Tribunal Federal deveria representar o último abrigo da Justiça, da serenidade e da confiança nas instituições republicanas. No entanto, durante a sessão realizada na terça-feira, 15, o plenário da mais alta Corte do País transformou-se em palco de acusações, provocações, disputas pessoais e manobras processuais, evidenciando uma demonstração degradante do nível a que chegou a instituição.
Durante os debates, os ministros discutiram abertamente e deixaram em segundo plano o que realmente importava para a sociedade: esclarecer suspeitas graves e demonstrar ao cidadão que nenhuma autoridade está acima da lei, inclusive aqueles que detêm o poder de interpretá-la. O julgamento em pauta deveria discutir a condução dos casos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça no contexto das investigações do Banco Master, mas acabou suspenso por um pedido de vista sem respostas definitivas sobre o mérito.
Em meio a esse cenário de forte desgaste, a ministra Cármen Lúcia destacou-se como a voz que preservou a dignidade institucional. Diante do constrangimento provocado pela própria Corte, a magistrada declarou estar envergonhada e pediu desculpas públicas ao povo brasileiro pelo comportamento do tribunal.
Ao afirmar que o Judiciário existe para tranquilizar a população, mas acabou gerando intranquilidade, Cármen Lúcia sintetizou o sentimento de milhões de brasileiros. Enquanto outros magistrados mantiveram o foco na defesa de posições corporativas, autoridades e versões, ela foi a única a enxergar o cidadão fora das paredes do plenário e a reconhecer o dano institucional causado ao país.
Embora um pedido de desculpas formal não seja suficiente para apagar os erros da instituição ou substituir investigações rigorosas, transparência e responsabilização, o gesto exigiu uma postura de sobriedade que faltou aos demais protagonistas daquela sessão. O Supremo não pode atuar como uma confraria protegida da fiscalização pública, tampouco transformar divergências jurídicas em palcos para acertos de contas.
A democracia brasileira necessita da atuação do STF, mas exige uma corte respeitada pela solidez de suas decisões e submetida ao mesmo rigor aplicado aos demais cidadãos. Na sessão que aprofundou a desmoralização do tribunal, Cármen Lúcia sobressaiu-se não por solucionar a crise, mas por demonstrar coragem ao admitir sua existência e respeito pela cadeira que ocupa.
Fonte: www.campograndenews.com.br
