A alta expressiva na procura por ingressos de grandes shows internacionais no período pós-pandemia acabou gerando forte mobilização entre os fãs nas redes sociais. O descontentamento popular foi impulsionado principalmente pela cobrança de taxas consideradas excessivas e pela ação recorrente de cambistas. Como resposta a esse cenário de insatisfação, o governo assinou o chamado Decreto des Fãs, impondo diretrizes mais rígidas com o objetivo de frear a revenda ilegal e forçar adequações nas operações de grandes empresas do setor, como a Live Nation e sua subsidiária Ticketmaster.
Apesar de impor novas regras ao mercado, a medida foi recebida com apoio pela Ticketmaster Brasil. De acordo com o CEO da companhia, Donovan Ferreti, a empresa participou ativamente das discussões iniciais para a elaboração da normativa e já opera em conformidade com as exigências. Para a liderança da tiqueteira, investimentos robustos em cibersegurança e no combate a fraudes e vendas ilegais já representam uma fatia expressiva dos custos operacionais diários da organização.
Questionado sobre as constantes críticas do público em relação ao cálculo das taxas variáveis cobradas nas transações, Ferreti esclareceu a estrutura financeira da empresa. Segundo o executivo, a única fonte de receita da companhia é a taxa de serviço ou conveniência, criada para remunerar a prestação de serviços logísticos e de bilheteria. Ele pontuou que, nas vendas diretas em bilheteria física, não há nenhuma receita adicional, ficando a cargo da empresa arcar integralmente com os custos de equipamentos, pessoal e controle de acesso nos locais dos eventos.
Sobre os impactos práticos da nova legislação, o CEO foi categórico ao afirmar que o Decreto dos Fãs não promove nenhuma reviravolta na operação da companhia. Grande parte das exigências previstas no texto oficial já era adotada internamente, fruto de contribuições dadas pela empresa durante a fase de planejamento e discussão de boas práticas. A tiqueteira enxergou a lei de forma positiva por padronizar o mercado primário e proibir a cobrança de taxas alternativas, práticas que a marca já não realizava.
No que tange à atuação do mercado secundário ilegal e à persistência dos cambistas, a empresa defende a necessidade de arcabouços legais mais punitivos para combater o crime. A organização relata aplicar cerca de US$ 15 milhões anualmente em ferramentas e sistemas tecnológicos voltados à prevenção de fraudes. Contudo, o executivo pondera que se torna inviável assegurar a autenticidade de bilhetes anunciados por terceiros em redes sociais ou sites de revenda não oficiais.
Por fim, a companhia comentou sua recente expansão para novos segmentos no país, destacando a aquisição da plataforma BaladApp para consolidar sua presença no mercado de eventos sertanejos e ampliar sua atuação regional. Além disso, a empresa planeja lançar de forma mais abrangente no mercado a integração com seu sistema próprio de alimentos e bebidas, batizado de Izi, diversificando ainda mais o seu portfólio de serviços no setor de entretenimento ao vivo.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
