A campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O objetivo é investigar o suposto uso, pela candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), de centenas de perfis na rede social Instagram com o intuito de ampliar a propaganda eleitoral e monetizar conteúdos.
A medida jurídica também inclui o deputado federal Alfredo Gaspar (PL), que concorre como candidato a vice-presidente na mesma chapa. Segundo os representantes da coligação petista, a manobra digital pode configurar abuso de poder econômico e dos meios de comunicação durante o pleito.
De acordo com os dados apresentados na petição, a equipe jurídica identificou 1.826 publicações em parceria, conhecidas como “collabs”, envolvendo um total de 492 perfis. Os registros apontam um crescimento expressivo de 271% nessa atividade ao longo de apenas dez dias.
Além da ampliação de alcance político, a denúncia aponta que parte das páginas estaria utilizando links direcionados para a venda de produtos associados a figuras do espectro político bolsonarista, levantando suspeitas sobre a origem dos recursos e a estrutura por trás da operação.
O advogado Angelo Ferraro, coordenador da equipe jurídica da campanha de Lula, destacou a necessidade de esclarecer a existência de uma estrutura coordenada. Para ele, é fundamental apurar quem financia, opera e qual é a real dimensão do benefício gerado por centenas de páginas atuando conjuntamente em favor de uma candidatura.
Diante dos indícios apresentados, a representação requer ao TSE a preservação de dados junto a plataformas como Meta e Shopee, a imediata suspensão dos links de comercialização de produtos e a identificação dos responsáveis pelos perfis. O processo também pede a cassação dos registros de Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, além da declaração de inelegibilidade de ambos por um período de oito anos.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
