A governadora de Pernambuco e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), veio a público neste domingo (20) para pedir desculpas após a repercussão de uma declaração dada no ano passado, na qual sugeriu que uma mulher fosse submetida a uma laqueadura sem o seu conhecimento prévio. O episódio ocorreu em 21 de maio do ano passado, durante a inauguração de uma ala pediátrica no hospital regional Dom Moura, localizado em Garanhuns, no agreste pernambucano.
Durante o evento, enquanto conversava com uma mulher que relatava a situação de uma paciente gestante, a governadora disparou a frase “faz sem ela saber”, momentos antes de posar para fotografias oficiais. A laqueadura é um método contraceptivo cirúrgico definitivo de esterilização feminina cuja realização no Brasil é estritamente regulamentada por lei federal.
De acordo com a Lei 9.263/1996, a esterilização voluntária exige capacidade civil plena, idade mínima de 21 anos ou pelo menos dois filhos vivos, além de um prazo obrigatório de 60 dias entre a manifestação da vontade e o ato cirúrgico. Nesse intervalo, a paciente deve receber aconselhamento multidisciplinar de planejamento familiar. Até o momento, não há confirmação se a mulher mencionada no diálogo chegou a passar pelo procedimento.
Diante da polêmica repercutida nas redes sociais e na imprensa, Raquel Lyra gravou um vídeo de retratação em Recife na tarde deste domingo. Na gravação, a mandatária classificou a declaração como equivocada e destacou que o episódio não reflete o seu respeito pelas mulheres, ressaltando que não possui compromisso com o erro e que trabalha pelo acesso ao planejamento familiar na rede pública.
O caso ocorre em um cenário de intensa disputa política em Pernambuco. Pesquisa Datafolha recente mostra a governadora tecnicamente empatada com o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) na corrida eleitoral ao governo estadual. O contexto eleitoral também tem sido marcado por debates acalorados e episódios de tensão entre apoiadores dos principais candidatos nas ruas e em eventos de campanha pelo estado.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
