A região de Apucarana registrou um expressivo volume de desligamentos voluntários nos primeiros sete meses de 2026. Conforme levantamento realizado junto ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mais de 16 mil trabalhadores optaram por pedir demissão entre janeiro e julho deste ano nos municípios que compõem a área.
O número representa uma média superior a 70 pessoas deixando seus empregos diariamente, o que equivale a cerca de 540 desligamentos semanais. No total, foram contabilizadas 16,2 mil saídas por iniciativa própria na região que abrange Apucarana, Arapongas e outros 26 municípios, representando 43% do total de 37,5 mil demissões ocorridas no período.
Em termos absolutos, Arapongas lidera os registros com 6,9 mil desligamentos voluntários, seguida de perto por Apucarana, com 4,8 mil. O economista e professor da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), Rogério Ribeiro, destaca que a soma das rescisões voluntárias nessas duas localidades responde por 72,4% de toda a região. Contudo, ele pondera que municípios com maior número de vínculos tendem a apresentar mais desligamentos em termos quantitativos, sem necessariamente indicar uma proporção maior.
Para a analista de Recursos Humanos Silmara Aparecida Pinheiro, o volume reflete um cenário em que a remuneração deixa de ser o único fator decisivo. Entre os principais motivos apontados por ela estão o esgotamento físico e mental, a busca por melhores salários e o descontentamento com a rotina profissional. Elementos como ambiente de trabalho saudável, respeito, reconhecimento e flexibilidade também exercem peso considerável na decisão do trabalhador.
Especialistas lembram que ferramentas como o Programa de Demissão Voluntária (PDV) oferecem alternativas para rescisões amigáveis, com pacotes de benefícios e critérios definidos pelas empresas. No entanto, o desligamento voluntário comum difere do PDV por partir estritamente da iniciativa do colaborador, que muitas vezes abre mão de direitos como aviso prévio, multa rescisória do FGTS e seguro-desemprego.
Por fim, o economista Rogério Ribeiro ressalta que esse comportamento não traduz um quadro de crise econômica. Pelo contrário, reflete o cálculo do custo de oportunidade, em que o trabalhador avalia que novas alternativas no mercado superam os benefícios do vínculo atual, impulsionado pela oferta de postos de trabalho e pela busca por melhores perspectivas de carreira ou atuação autônoma.
Fonte: tnonline.uol.com.br
