A cineasta paraguaia Paz Encina iniciou seus estudos musicais no violão clássico ainda na infância, aos quatro anos de idade. Ela relata que sua primeira alfabetização ocorreu por meio da música, absorvendo notas musicais antes mesmo de aprender a escrever as vogais de forma convencional.
Essa base precoce moldou a estética particular de sua filmografia ao longo dos anos. Desde o lançamento de seu primeiro longa, “Hamaca Paraguaya”, em 2006, a diretora tem construído narrativas minimalistas onde a perda, a ausência e a espera ganham materialidade por meio da forte ligação com a memória de seu país.
A recusa aos formatos hegemônicos motivou a homenagem que Encina recebe na 20ª Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte, a CineBH. Além de um troféu dedicado à sua trajetória na abertura do evento, a diretora ministra uma masterclass e participa de sessões comentadas de três de seus filmes.
O primeiro longa de Encina marcou o fim de um hiato de quase três décadas sem a produção de longas-metragens no Paraguai. Ambientado durante a Guerra do Chaco em 1935, o filme utiliza longas tomadas estáticas para observar a rotina de um casal que aguarda o retorno do filho.
Marcada pelo período da ditadura de Alfredo Stroessner no Paraguai, a cineasta aponta que encontrou no cinema um refúgio e uma forma de resistência. Para ela, a verdadeira liberdade criativa está em exercer a própria linguagem, distanciando-se dos sistemas tradicionais de controle da indústria cinematográfica.
A 20ª CineBH ocorre em Belo Horizonte e conta com uma ampla programação gratuita de exibições e debates, reforçando o intercâmbio cultural e a valorização de perspectivas cinematográficas na América Latina.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
