A menos de duas semanas do primeiro turno, as campanhas eleitorais de Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao Governo de São Paulo seguem caminhos distintos para lidar com suas vulnerabilidades na reta final da propaganda eleitoral televisiva. Enquanto o candidato petista busca atenuar sua alta taxa de rejeição e pede que o eleitor abandone “paixões políticas”, o atual governador prefere omitir de seus programas os projetos de privatização, evitando polêmicas ligadas a serviços públicos essenciais.
Ex-prefeito da capital e ex-ministro da Fazenda, Haddad enfrenta como principal obstáculo a resistência expressiva do eleitorado paulista. Levantamentos do Datafolha indicam que 48% dos entrevistados afirmam que não votariam nele de jeito nenhum, patamar estável em relação aos 47% de agosto, enquanto sua intenção de voto no primeiro turno se mantém em 29%, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Para tentar reverter esse cenário, a estratégia do candidato do PT tem sido intensificar as críticas a Tarcísio. Na programação veiculada na última quarta-feira (23), a campanha explorou a ausência do adversário no debate promovido pela TV Record dias antes, exibindo imagens da cadeira vazia reservada ao governador — que justificou a falta por cumprir agenda oficial de gestão.
Na mesma peça publicitária, Haddad detalhou propostas voltadas para a segurança pública e a saúde, além de prometer a revisão e eventual reestatização de concessões e privatizações implementadas pela gestão atual, citando expressamente a Sabesp, os pedágios do sistema Free Flow e a CPTM. O candidato afirmou que priorizará o interesse do usuário em detrimento do setor financeiro.
O programa do petista foi encerrado com um apelo direto à população diante do índice de rejeição: “Se você deixar de lado as paixões políticas e me der uma chance, eu dou a minha palavra: São Paulo será melhor de verdade”. O tom contrasta com a abordagem adotada pelo atual chefe do Executivo estadual.
Favorito na disputa com 49% das intenções de voto segundo o Datafolha, Tarcísio de Freitas evitou mencionar tanto o seu principal oponente quanto o debate em torno das privatizações. O foco de sua propaganda centrou-se na apresentação de entregas e programas de apoio governamental em diferentes fases da vida dos cidadãos, contemplando desde a educação infantil e a qualificação profissional até projetos assistenciais para mães de crianças atípicas e iniciativas voltadas para a terceira idade.
A postura cautelosa em relação à pauta de desestatizações ocorre em um momento de sensibilidade sobre o tema. A privatização da Sabesp, ocorrida em 2024 com a redução da fatia estatal para 18,3%, gerou críticas de moradores da região metropolitana devido a queixas sobre a pressão noturna no abastecimento de água. Paralelamente, falhas operacionais e incidentes em linhas da CPTM sob administração privada, como o incêndio na linha 12-safira em julho, alimentaram a oposição dos eleitores a esse modelo de gestão.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
