O avanço das ferramentas de inteligência artificial generativa tem transformado a rotina de redes sociais e campanhas publicitárias, mas também gerado intensos debates sobre autoria, qualidade e o futuro dos profissionais da área criativa. Enquanto microempreendedores e pequenas empresas utilizam os recursos para viabilizar materiais de divulgação, artistas e designers alertam para os riscos da desvalorização profissional e da perda de originalidade no mercado.
Nas redes sociais, o impacto é visível com a proliferação rápida de imagens de diferentes estilos e formatos. O recurso passou a ser adotado não apenas por comércios locais, mas também em eventos e materiais institucionais, gerando reações divididas entre a facilidade de acesso à comunicação visual e o receio da substituição do trabalho humano especializado.
O diretor criativo Felipe Melo aponta que a tecnologia atua como uma ferramenta de democratização importante para quem está começando e possui poucos recursos financeiros, permitindo dar os primeiros passos na comunicação. No entanto, ele pondera que o cenário muda quando empresas estruturadas e órgãos públicos recorrem às ferramentas automáticas sem nenhum filtro crítico ou contratação de profissionais qualificados.
Segundo o publicitário, a falta de revisão e o uso indiscriminado da inteligência artificial geram resultados problemáticos, muitas vezes marcados por falhas visuais bizarras que viram motivo de piada. Para ele, a tecnologia reduz caminhos e ajuda a ilustrar conceitos, mas a execução final deve contar com o olhar atento de fotógrafos, designers e agências especializadas.
Em contrapartida, artistas visuais como a cineasta Isabelle Silva defendem que a automação descaracteriza o processo artístico tradicional. Citando produções independentes que exigiram anos de trabalho manual e milhares de quadros desenhados à mão, ela ressalta que a essência da arte reside justamente no esforço humano, na experimentação e nas escolhas do criador.
Por fim, os profissionais da área avaliam que a inteligência artificial deve funcionar como um apoio na fase de rascunhos, agilizando a apresentação de ideias aos clientes, mas sem jamais substituir a sensibilidade, a técnica e a originalidade inerentes ao trabalho humano na cultura e na publicidade.
Fonte: www.campograndenews.com.br
