A expressiva recuperação da população de baleias-jubarte na costa brasileira, que atualmente alcança cerca de 35 mil indivíduos segundo censos recentes, destaca o papel fundamental da investigação científica na preservação da vida marinha. Reduzida a poucas dezenas ou centenas de animais em decorrência da caça comercial — prática banida globalmente em 1986 —, a espécie hoje transita por um cenário de repovoamento monitorado de perto por especialistas.
Em expedições recentes ao Parque Nacional Marinho de Abrolhos, no sul da Bahia, pesquisadores do Instituto Baleia Jubarte (IBJ) documentaram dezenas de exemplares em águas nacionais. O monitoramento contínuo engloba o registro detalhado de localização, profundidade, dinâmicas de grupo e identificação fotográfica de caudas, cujos padrões funcionam como verdadeiras impressões digitais para cada animal.
O banco de dados gerado por esse esforço de campo alimenta plataformas globais e já viabilizou descobertas impressionantes, como o rastreio de uma jubarte baiana que percorreu mais de 14 mil quilômetros até alcançar a Austrália. Esse acervo de conhecimento técnico também serve de embasamento direto para a formulação de políticas públicas, diretrizes de turismo sustentável e regulamentações para o tráfego náutico comercial.
Entre as aplicações práticas do monitoramento científico estão as restrições impostas a rotas de navios em terminais estratégicos de São Paulo e do Espírito Santo, orientando embarcações a trafegarem em velocidades reduzidas e áreas de menor concentração de cetáceos. Da mesma forma, dados coletados pelo IBJ estabeleceram restrições sazonais para pesquisas sísmicas da indústria de óleo e gás em litorais do Sudeste e Nordeste.
Com três décadas de atuação, o instituto consolidou uma trajetória marcada por centenas de artigos publicados e pela formação de dezenas de mestres e doutores. Novas frentes de investigação utilizam tecnologias avançadas, como o uso de drones para mensuração corporal e a coleta minuciosa de amostras genéticas por meio de flechas especiais, cujos ácidos graxos auxiliam na avaliação dos impactos das mudanças climáticas na Antártida.
A subsistência e expansão desse modelo de conservação de longo prazo também contam com parcerias corporativas consolidadas, a exemplo do apoio financeiro e estrutural de décadas mantido pela Petrobras. Para os cientistas e gestores envolvidos no projeto, o desafio contemporâneo consiste em assegurar a convivência harmoniosa entre as atividades socioeconômicas no oceano e uma população próspera de grandes mamíferos marinhos.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
