A seca avançou e se intensificou na região pantaneira de Mato Grosso do Sul durante o mês de agosto de 2026, conforme aponta o boletim divulgado nesta quarta-feira (23) pelo Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima). O relatório, que avalia o índice SPEI considerando a chuva e a evapotranspiração, indica uma piora em relação ao mês anterior e destaca o surgimento de focos isolados de seca severa na área.
O indicador SPEI é analisado em janelas de três, seis e 12 meses. No Pantanal, predominaram em agosto valores entre -1 e -2, patamar associado a condições de seca. Além disso, análises de três e 12 meses revelaram focos isolados que atingiram a faixa entre -2 e -3, classificados pelo centro como seca severa, embora o documento não especifique os municípios exatos afetados por esses núcleos mais intensos.
A distribuição das chuvas pelo Estado ocorreu de forma desigual ao longo do período. As regiões norte, noroeste e pantaneira registraram os menores volumes acumulados, enquanto o extremo sul concentrou os maiores índices. Na maior parte das estações monitoradas pelo Cemtec, o volume pluviométrico ficou abaixo da média histórica esperada para o mês de agosto.
Na região pantaneira, o déficit de chuvas apareceu com clareza em diferentes estações. Em Corumbá, os registros nas fazendas Eldorado da Formosa e Campo Zélia ficaram 77% abaixo da média histórica, com apenas 6,6 milímetros em cada ponto. Outras localidades como a Serra do Amolar, a Fazenda Barranco Alto em Aquidauana e a Fazenda São Luís em Porto Murtinho também registraram quedas expressivas nos volumes esperados.
O boletim também comparou o cenário atual com o mesmo período de 2025. Há um ano, o relatório de agosto indicava condições úmidas nas regiões norte e pantaneira, com excedente de chuva e ausência de seca fraca na porção oeste do Estado. O cenário de 2026, em contrapartida, demonstra uma reversão desse quadro com o avanço da seca na mesma área pelo índice SPEI.
Para o trimestre de outubro a dezembro de 2026, o Cemtec aponta a perspectiva de um fenômeno El Niño de intensidade muito forte, projetando chuvas e temperaturas acima da média em Mato Grosso do Sul. O órgão ressalta que a tendência envolve possibilidades de ondas de calor e tempestades mais intensas, embora o fenômeno atue de forma indireta e não seja apontado diretamente como causa única da seca observada em agosto.
Fonte: www.campograndenews.com.br
