Um delegado de Polícia Civil que já atuou na chefia de operações de combate ao narcotráfico foi preso durante uma operação de grande envergadura deflagrada nesta quarta-feira (24) em Mato Grosso do Sul. A ação, batizada de Operação Infiltrados, foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), órgão vinculado ao Ministério Público estadual.
Ao todo, a ofensiva resultou na prisão de 12 pessoas apontadas como integrantes de um esquema criminoso dentro das forças de segurança. Entre os detidos estão nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal, revelando um grau preocupante de infiltração criminosa nas corporações encarregadas de fazer cumprir a lei.
De acordo com as investigações conduzidas pelo Ministério Público, o grupo era especializado no desvio de drogas apreendidas durante diligências policiais, com forte incidência sobre cargas de cocaína. Os suspeitos utilizavam diferentes artimanhas para burlar o controle institucional, omitindo o registro oficial de parte dos entorpecentes recolhidos ou subtraindo o material diretamente dos depósitos das delegacias.
O delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa figura entre os alvos capturados na ofensiva de hoje. A investigação que culminou nas prisões teve início em outubro de 2025, após o avanço de apurações anteriores conduzidas pelo Gaeco, especificamente a partir de elementos probatórios colhidos no âmbito das operações Traquetos e Blindspot.
A gravidade das denúncias abala a estrutura de segurança pública do estado, uma vez que os agentes deveriam zelar pela repressão ao crime, mas atuavam, segundo as autoridades, abastecendo o próprio tráfico de drogas. O esquema evidencia a necessidade rigorosa de controle interno e fiscalização sobre os depósitos de apreensões das forças policiais.
A imprensa e os órgãos competentes buscaram um posicionamento oficial da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul a respeito das prisões e das acusações contra seus integrantes, mas até o momento da publicação o órgão não havia retornado aos contatos. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações da defesa dos citados ou da instituição policial.
Fonte: noticias.uol.com.br
