Documentos do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), obtidos no âmbito da Operação Infiltrados, revelam que uma articulação do narcotráfico cogitou utilizar um caminhão a serviço dos Correios para o transporte de uma carga que poderia chegar a 150 quilos de cocaína. Nas conversas interceptadas pelos investigadores, integrantes do grupo criminoso discutiram detalhes logísticos como o veículo que seria utilizado, a rota do carregamento e a divisão dos valores obtidos com a operação.
A tratativa aparece em diálogos envolvendo Lucas da Silva dos Santos, conhecido como “LK”, apontado pela investigação como um dos articuladores do esquema. Nas conversas mencionadas no relatório, ele relata que o entorpecente viria de Porto Murtinho, com passagem pela saída de Sidrolândia, e fala em um pagamento de R$ 50 mil para cada participante envolvido na empreitada criminosa.
O grupo discutia a utilização de um veículo da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos justamente para tentar dar uma aparência regular ao transporte. Segundo o documento do Gaeco, a partir de fevereiro de 2025, LK e outro investigado passaram a tratar do uso do automóvel e da necessidade de combinar previamente com o motorista como seria realizado o desvio da carga, buscando reduzir suspeitas durante eventuais fiscalizações nas rodovias.
Apesar da estratégia de dissimulação, o relatório aponta que a negociação não chegou a ser concretizada com sucesso e não há funcionários da instituição postal listados pelo Gaeco como suspeitos ou oficialmente investigados. Em uma das conversas destacadas pelos investigadores, LK enfatiza que a exibição de um veículo com características oficiais daria suporte integral à ação, embora o grupo avaliasse a necessidade de que o caminhão realmente realizasse fretes cotidianos para não levantar suspeitas.
Em uma segunda frente de negociação ocorrida em março de 2025, os alvos passaram a discutir outra operação envolvendo uma carreta para transportar uma remessa ainda maior, que poderia alcançar até 930 quilos, embora estimassem mais provável uma quantidade em torno de 450 quilos. Para viabilizar essa segunda etapa, LK buscou levantar R$ 25 mil para custear a locação do veículo pesado, contando com a participação de outros indivíduos e de agentes públicos.
A Operação Infiltrados foi deflagrada pelo Gaeco para cumprir dezenas de mandados de prisão e de busca e apreensão em cidades como Campo Grande, Dourados e Terenos. A investigação mira uma estrutura de desvio de drogas apreendidas e favorecimento ao tráfico com a suposta participação de policiais civis, militares, policiais penais e delegados.
Fonte: www.campograndenews.com.br
