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‘Futebol sempre viveu sem bets’, diz ministro dos Esportes; governo planeja se reunir com clubes

Após edição de Medida Provisória que proíbe sites de apostas no país, governo federal articula reunião com dirigentes para discutir impactos financeiros e demandas dos clubes.

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‘Futebol sempre viveu sem bets’, diz ministro dos Esportes; governo planeja se reunir com clubes

Diante da forte reação negativa manifestada por clubes de futebol brasileiros após a edição da Medida Provisória que proibiu os sites de apostas no país, o governo federal planeja realizar uma reunião com representantes das equipes. O objetivo do encontro, que tem previsão para acontecer na próxima semana, é compreender as demandas abertas decorrentes do corte repentino das empresas de apostas do mercado nacional.

A articulação da reunião está sendo conduzida pelo ministro do Esporte, Paulo Henrique Perna Cordeiro. De acordo com o chefe da pasta, a intenção do governo é ouvir os dirigentes esportivos e avaliar de que maneira o Poder Executivo poderá contribuir para evitar eventuais prejuízos decorrentes da nova regulamentação.

Apesar de o impacto financeiro ser apontado como preocupante pelos times, o ministro minimizou a dependência do setor em relação às empresas do ramo, afirmando publicamente que “o futebol sempre viveu sem as bets”. Dados de mercado indicam que, em 2025, as plataformas de apostas injetaram R$ 1,143 bilhão em patrocínios apenas nos 20 clubes de maior receita do Brasil.

Grandes equipes do futebol brasileiro manifestaram oposição severa à decisão do governo. O Flamengo, por exemplo, criticou a mudança repentina de rumo em uma publicação que gerou reações divergentes de torcedores, argumentando que não se pode alterar o marco regulatório de maneira abrupta após empresas e instituições assumirem compromissos de longo prazo. O clube carioca mantém um contrato milionário de R$ 268,5 milhões por temporada com um site de apostas. Na mesma linha, o Fluminense, que recebe R$ 52 milhões anuais no mesmo padrão de acordo comercial, defendeu publicamente a necessidade de um período de transição adequado.

Publicada na última sexta-feira (25), a Medida Provisória estabelece prazos rígidos para a desativação do setor. As empresas de apostas de quota fixa devem sair completamente do ar até o dia 6 de outubro. Paralelamente, os apostadores têm até o dia 5 do mesmo mês para resgatar eventuais saldos remanescentes nas plataformas. O cronograma também determina a remoção imediata de peças publicitárias, ações de marketing e marcas vinculadas a patrocínios nos uniformes e estádios.

Além da MP, o governo enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei complementar para criminalizar a exploração, operação e divulgação de apostas de quota fixa após a proibição definitiva. Pela proposta legislativa, que ainda precisará passar pelo crivo dos parlamentares e sanção presidencial, a conduta passará a ser considerada crime punido com reclusão de quatro a seis anos, além de multa, independentemente de o agente possuir autorização emitida por autoridades estrangeiras.

Fonte: g1.globo.com

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