A contagem de espermatozoides registrou uma queda superior a 51% em âmbito global desde o ano de 1973, com um ritmo de declínio que vem se acelerando, conforme aponta uma revisão de estudos divulgada em 2026 na revista científica Antioxidants. Apesar dos dados alarmantes, os homens continuam a demonstrar menor propensão a investigar possíveis complicações relacionadas à fertilidade quando comparados às mulheres.
Especialistas da área apontam que a parcela masculina nos quadros de infertilidade é subestimada e amplamente subnotificada. Em pesquisas recentes que analisaram milhares de amostras de sêmen, constatou-se que parâmetros cruciais como a morfologia — que avalia a forma e o tamanho dos espermatozoides — e a motilidade, responsável pela capacidade de deslocamento até o óvulo, sofreram reduções drásticas ao longo da última década.
Diversos fatores ligados ao estilo de vida e a condições de saúde influenciam diretamente esses indicadores. Entre as causas mais recorrentes estão o excesso de peso, os níveis elevados de estresse, a privação crônica de sono, o tabagismo, o consumo de maconha e a exposição a microplásticos. O ganho de peso, em particular, eleva a temperatura corporal na região dos testículos, o que prejudica a produção adequada de espermatozoides e de hormônios essenciais.
O problema costuma passar despercebido em grande parte porque a saúde reprodutiva dos homens carece de acompanhamento rotineiro. Diferente das mulheres, que possuem indicadores biológicos periódicos como o ciclo menstrual, os homens normalmente só descobrem alterações na fertilidade quando tentam conceber filhos, faixa etária em que certas condições já se tornam mais difíceis de reverter.
Outro ponto crítico que afeta a fertilidade masculina é o uso de testosterona sintética e esteroides anabolizantes por indivíduos que buscam ganho de massa muscular. Embora tais substâncias melhorem rapidamente o desempenho físico, a presença excessiva de hormônios sintéticos interrompe a produção natural de esperma. Dados de acompanhamento de longo prazo mostram que muitos usuários continuam com contagens severamente baixas de espermatozoides mesmo meses após interromperem o uso.
Apesar de substâncias e anabolizantes responderem por uma parcela específica dos diagnósticos, especialistas reforçam que fatores cotidianos como o calor excessivo, o tabagismo e o sobrepeso continuam liderando as causas gerais. A boa notícia é que, quando identificadas de maneira precoce, muitas dessas alterações podem ser revertidas com ajustes no estilo de vida e acompanhamento médico especializado.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
