Uma investigação conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) aponta que policiais civis da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), em Campo Grande, teriam começado a negociar a venda de 326 quilos de cocaína apenas 48 minutos após a droga chegar à sede da unidade policial. O entorpecente havia sido apreendido em dezembro de 2022 durante uma operação conjunta entre a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco).
O caso teve início na Avenida Gunter Hans, na Capital, quando equipes abordaram um veículo que transportava uma placa solar e localizaram um compartimento oculto contendo 300 invólucros de cloridrato de cocaína. O laudo pericial confirmou que a carga totalizava 326 quilos, resultando na prisão em flagrante de dois homens. O material apreendido foi encaminhado para armazenamento na Denar.
De acordo com o relatório do Gaeco, às 13h04 de 14 de dezembro de 2022, a droga deu entrada na delegacia. Apenas 48 minutos depois, às 13h52, conversas interceptadas mostram o traficante Edmilson Santos Pereira e o intermediário Lucas da Silva dos Santos, conhecido como “LK”, tratando da compra de parte do entorpecente. Os investigadores apontam que os policiais civis Neverson Vieira de Araújo, Nilton Cesar Sales dos Santos e Roberto Palmeira da Silva estariam envolvidos no esquema de desvio.
A conexão entre a droga apreendida e as negociações ilícitas ganhou força três dias após a apreensão, quando a perícia identificou diferentes inscrições nos tabletes de cocaína, sendo uma delas a marca “BUGATTI”. Em 17 de dezembro, Lucas enviou a Edmilson uma fotografia de um pacote com a mesma inscrição. Embora a imagem original tenha sido apagada, uma miniatura recuperada no celular de Edmilson confirmou o detalhe que ligava o entorpecente negociado à carga oficial guardada na Denar.
Nos dias seguintes ao flagrante, os envolvidos discutiram valores e quantidades em mensagens e áudios. Em trechos destacados pelos investigadores, Lucas menciona a possibilidade de conseguir “uns 40” quilos de cocaína para “girar dinheiro” e posteriormente pagar os fornecedores. As conversas também revelam cobranças urgentes de acertos financeiros antes que os supostos policiais envolvidos entrassem em período de férias, demonstrando a pressa na conclusão dos repasses, que frequentemente ocorriam em dinheiro vivo.
A investigação do Gaeco detalha que o esquema contava com articulações familiares, movimentações financeiras expressivas e a cooptação de presos para servir de elo entre os agentes de segurança pública e os compradores da droga desviada. O caso segue sob apuração rigorosa das autoridades competentes para responsabilização dos envolvidos na comercialização ilegal de entorpecentes sob custódia oficial.
Fonte: www.campograndenews.com.br
