Na Central de Gestão de Resíduos da Ceasa/MS (Central de Abastecimento de Mato Grosso do Sul), frutas e verduras que sobram da movimentação diária seguem para compostagem. Madeira, papelão e plástico são separados para reciclagem. Esse trabalho começou a ser estruturado em 2019 e, agora, para buscar a Certificação Lixo Zero, a instituição precisa comprovar os resultados com números e documentos detalhados.
O processo envolve triagem rigorosa, parceria com a Fiems e auditorias planejadas para o início de 2027. No pátio, funcionários realizam a limpeza das áreas comuns do entreposto e fazem a primeira separação dos materiais. Em seguida, os itens são encaminhados para a Usina de Coleta e Seleção de Resíduos, onde uma nova classificação minuciosa separa papelão, plásticos e outros componentes antes da compactação e venda.
Em 2025, a Ceasa destinou 1.404.803,60 quilos de resíduos, o que representa cerca de 1,4 mil toneladas. Desse total, frutas, legumes e verduras somaram 699.880 quilos, enquanto a madeira alcançou 447.730 quilos, ambos encaminhados para compostagem. Outros 254.793,60 quilos de recicláveis seguiram para a reciclagem. Apenas 2,4 toneladas foram classificadas como rejeito e enviadas ao aterro sanitário.
O aprimoramento da triagem trouxe impactos financeiros positivos. A instituição faturou 30% a mais com a venda de recicláveis em 2025 na comparação com o ano anterior. Parte dessa receita é distribuída aos colaboradores no fim do ano como forma de incentivo, enquanto o contrato de compostagem garante a devolução de adubo repassado a pequenos produtores em parceria com a Agraer.
A preparação específica para a certificação conta com consultoria da Fiems desde junho de 2026. O objetivo é reunir todos os registros de quantidade e destinação para passar pela auditoria do Instituto Lixo Zero Brasil. Exemplos regionais, como o Grupo Real em Campo Grande, demonstram a viabilidade do modelo ao destinarem grande parte de seus resíduos de forma sustentável e conquistarem certificações do setor.
Especialistas reforçam que a política lixo zero vai além da simples separação de materiais. Envolve rever o consumo, evitar desperdícios desde as compras e comprovar documentalmente todas as etapas de destinação. A Ceasa segue ajustando seus processos e busca alternativas para materiais de difícil aproveitamento na região, consolidando uma mudança estrutural na gestão ambiental de Mato Grosso do Sul.
Fonte: www.campograndenews.com.br
