A 19ª edição dos Jogos Urbanos Indígenas movimentou o Parque do Sóter, em Campo Grande, com a participação de cerca de 500 atletas de 21 comunidades da Capital. O evento, que começou com uma cerimônia na Morada dos Baís, seguiu com disputas em dez modalidades esportivas individuais e coletivas, integrando esporte, lazer e valorização da cultura tradicional.
Organizada pela Prefeitura de Campo Grande por meio da Funesp e da SDHU, a competição ocupou o parque desde cedo. Enquanto os atletas se enfrentavam nas quadras e no campo, familiares compartilhavam áreas de sombra para torcer, e as próprias comunidades se encarregavam de preparar o almoço coletivo, transformando o evento em um ponto de encontro e confraternização.
Integrante da comunidade Inamaty Kaxé, Taynara Marques Felix, de 34 anos, exemplifica a dedicação ao evento. Ela acordou às 4h para preparar a refeição do grupo, disputou partidas de vôlei — conquistando o terceiro lugar na modalidade —, acompanhou os filhos e ainda celebrou o primeiro lugar de sua comunidade na corrida feminina.
Para Taynara, a presença dos filhos de 15 e 17 anos nas competições reforça a importância de transmitir orgulho cultural às novas gerações. “Eu falo para eles que não podem ter vergonha. Eu não tenho, vocês também não podem ter”, relatou. Ela destacou que o evento funciona como um momento de lazer e integração entre diferentes grupos.
Outras lideranças e participantes também enfatizaram o espírito de união dos jogos. Domigiane Vicente, da comunidade Paravá, acompanhava os familiares na torcida e pontuou que o resultado coletivo supera a rivalidade em quadra. Já a cacique Dourilene Moreira, da comunidade Portal Caiobá, atuou como técnica da equipe feminina de futsal e ressaltou a oportunidade de exibir as habilidades dos atletas indígenas urbanos.
Daniel Francisco, de 31 anos, também da comunidade Inamaty Kaxé, faturou o vice-campeonato na prova da lança e se preparava para o cabo de guerra após a eliminação no futebol. Para ele, o ponto alto da iniciativa é a troca de experiências e a diversão proporcionada pela interação direta com as demais comunidades presentes no parque.
Fonte: www.campograndenews.com.br
